terça-feira, setembro 14, 2010













Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demôno, ante meus olhos.

Edgar Allan Poe

(Tradução de Oscar Mendes)

2 comentários:

Priscila Azeredo disse...

Boa escolha! O poema é lindo!
Beijinhos,
Priscila

p.s. obrigada pela mensagem =D

Andrezza disse...

Lindo este poema, mesmo não sendo em sua língua original.

Vc é um ótimo professor. Continue assim.

Abs,
Andrezza