quarta-feira, janeiro 31, 2007

Descobrindo os próprios instintos

My Turn: Learning My Instincts

How caring for my grandmother taught me about myself.

By Courtney E. Martin


Special to Newsweek


Jan. 26, 2007 - "Doll, help me get into my floral nightgown hanging there," my grandmother said, pointing toward the hospice closet.

I pulled out the nightgown. It was made of an itchy, polyester blend, long, with three plastic pink buttons at the top and huge pink and blue flowers. It was something that I couldn't imagine putting on in a million years, but my grandmother adored bright colors. She thought the blacks and browns that I preferred were an unfortunate side effect of my romantic life in New York City.

She slowly swung her legs over the side of the bed and prepared to sit up, laboring over every movement. Her lungs were slowly turning to stone. At least that's how I understood it. The doctors called it pulmonary fibrosis. They guessed that the disease had first taken root in her tiny body as she tended the chickens on the family farm back in Kearney, Neb., seven decades past. Now every exertion was accompanied by a quiet, but painful-sounding, inhale.

Wordlessly, she pulled off her nightgown. Here she was, my grandmother, naked and wrinkled, so tiny and sunken in that I could hardly recognize her. There were familiar signs: her mastectomy scar, and her characteristically slight shoulders. Her belly even pouched just a little. But otherwise, the woman who stepped into skirted-bathing suits to go to the pool, whose generous lap had sheltered my tears at “E.T.”, whose arthritic knuckles had ached a bit after shooting hoops with me in the alley, was gone. And in her place was a dying creature who needed my help.

It made me feel like a little girl again, far younger than my 21 years. I had an expensive education from an elite institution. I was familiar with the United Nations Declaration of Human Rights. I could describe the theories of a handful of sociologists and political scientists. I knew how to pronounce Dostoevsky.

But I didn't know how to help my dying grandmother. None of that fancy education had prepared me for this moment, a moment that left me feeling stupid and worthless.

My women's-studies courses had emphasized the danger of naturalizing learned behaviors. Socialization became my new favorite word. It was freeing to believe that I wasn't more inclined to communicate or cry just because I was female. Suddenly my choices felt less like destiny and more like self-determination. I scoffed haughtily at my mom's goddess talk and insistence that women were inherently more peaceful.

Now, as I sat in that hospice room, I longed to feel some strong womanly instincts. Wasn't this something I was supposed to know how to do? My own mom, 5 feet 10 inches of maternal hurricane, would know exactly where to place her hands for support, how to untangle the oxygen tube, and she would know how to do it all without embarrassing my grandmother. She would know how to help expertly, invisibly, in that way that women—seemingly by birth—know how to handle death.

Facing the prospect of deep and irreplaceable loss for the first time, I realized that socialization couldn't explain the duty that was swelling inside of me. It was as if the sight of my grandmother's vulnerability tapped unknown resources deep within me.

And as much as my mind hated to admit it, my heart knew that they felt like fundamentally female instincts. My uncle was the strong and silent type, a man's man who preferred to leave the messy stuff up to his wife and sisters. My father and brother—though both sensitive and feminist—weren't in that room, witnessing my grandmother's disintegration.

I gently pulled the tubing from the oxygen tank away from her arms and neck, so that it wouldn't get snagged and threaten her fragile breath. I set aside the discarded nightgown and put the new, brighter one over her head, being careful that it didn't catch around her ears. I pulled it down around her waist. I helped her swing her legs back on to the bed, gently putting my hands under each bony ankle and guiding them upward. I, again, held the oxygen tube while she scooted herself back onto the nightgown, back into her home, the little cave of bed where she rested.

"There," she said, smiling up at me, "thanks for helping an old girl out."

"There," I echoed. And for the first time in a long time, I didn't have a theory to explain my pain.

Martin lives in Brooklyn, N.Y.
© 2006 Newsweek, Inc.

URL: http://www.msnbc.msn.com/id/16827053/site/newsweek/page/3/

domingo, janeiro 21, 2007

Olhar

Uma hora da última tarde de verão. Almoço.


- O Carnaval é a melhor coisa que já inventaram! Uma maravilha! Em Salvador, então, foi melhor ainda...- e começou a contar, animada, suas aventuras momescas Brasil afora.

Do outro lado da mesa, ouvia-a, atento. Observava-a, na verdade. A história era boa, cheia de lances engraçados. Ouvia-a, mas sobretudo via-a. Melhor dizendo, gravava-lhe a imagem. Vagava prazerosamente, por trás da máscara de atenção, por aqueles traços que ficara tanto tempo sem ver. A narrativa seguia, em gestos e expressões que valeriam um Oscar. Mas era apenas uma trilha de fundo. Salvador estava tão longe, e ela estava tão perto, logo ali. Seus olhos, pequenos e vivazes, dançavam nas órbitas a cada lembrança. Testemunhas silenciosas de cada momento contado, iam para a esquerda, para a diagonal direita, pulavam para cima e para baixo, e como que ausentavam-se quando ela buscava uma palavra ou frase mais fugidia. Poucas vezes fixavam-se nos dele, cravados nela.

E a história, sempre adiante. Trios elétricos. Cachaça deliciosa. Comida típica cara e rara. Medo de intoxicação alimentar. Festa. Dança. Catarse. Cansaço.

E os olhos dele sempre a vagar: ora se perdendo nos dela, como se a querer ver o que lhes havia por trás; ora demorando-se, gulosos, nas tenras maçãs do rosto pequenino; enfim lampejando sobre os lábios vermelhos e absorventes... E então voltava aos olhos fugidios, para melhor convencer num comentário qualquer, ou numa risada estratégica.

Os olhos... tão pequenos e vivazes! Lembrou-se de como os via antes, quando se conheceram. Não os contemplava tanto, por falta de audácia e oportunidade. Colegas de trabalho em sala repleta, como demorar-se neles? E, não obstante, ainda via ali o mesmo brilho, a mesma energia, a mesma overdose de vida. Como estrelas negras, eram olhos cheios de luz e calor, que por estranho capricho da gravidade prendiam os dele em sua órbita.

Timbalada. Daniela Mercury. Frevo. Suor exalando de milhares de corpos. Fulana bêbada. Beltrano abusado. Vatapá. Noite virada na rua.

A pele branca, não demais, saborosa ao olhar, uma promessa de acolhimento. Sedosa, com certeza, não imaculada, um cravo aqui e outro ali denunciando as imperfeições encantadoras de sua humanidade.

Carlinhos Brown. Axé. Blocos. É o Tchan. Modelo famosa se agarrando com um anônimo. Praia. Mar.

Encimando o rosto de boneca, um arco de trevas, brilhosas e bem cuidadas, curtas mas dispostas em gracioso conjunto de...

- ... você não acha?

Pego de surpresa, praticamente em flagrante. O rosto traiu de imediato o susto da volta à realidade. Ainda ensaiou um balbucio qualquer, a título de explicação, mas a mente se tornou apenas um grande vazio branco...

Ela sorriu. E no fundo de seus olhos, tão pequenos e vivazes, brilhava a misericordiosa fagulha da compreensão.


(21/3/2004)

sábado, janeiro 20, 2007

Dos Usos da Educação

"Sozinhas como possam estar boa parte de seu tempo, [as pessoas educadas] não merecem tanta pena quanto aquelas criaturas sociáveis que precisam ter 'gente em volta' ou um filme a que assistir. Pois a pessoa educada se apropriou tanto da mente de outros homens que ela pode viver do seu armazém como o camelo de seu reservatório. Tudo pode se tornar grão para o seu moinho, inclusive a sua própria miséria -- se ela é miserável -, já que, por associação com o que ela sabe, tudo que ela desfruta ou suporta tem ecos e sugestões ao infinito. Este é, de fato, o teste e a utilidade da educação de um ser humano, que ele descubra prazer no exercício de sua mente."

Jacques Barzun, Begin Here - The Forgotten Conditions of Teaching and Learning.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

A Marcha do Imperador

De novo, por meio do OMEDI. Eu amo o YouTube...


terça-feira, janeiro 16, 2007

segunda-feira, janeiro 15, 2007

O Coração Denunciador

Uma obra-prima de Edgar Allan Poe em animação. Vale uma boa olhada.



sexta-feira, janeiro 12, 2007

Blogs do Oriente Médio (não, não estão em árabe)

(Nota mental: dar uma boa olhada em todos, depois de concluir a dissertação de mestrado.)

Líbano - beirutspring.blogspot.com
Arábia Saudita - saudijeans.blogspot.com
Emirados Árabes Unidos - secretdubai.blogspot.com
Jordânia - www.jordanplanet.net
Turquia - aegeandisclosure.blogspot.com
Bahrein - www.mahmood.tv
Kuwait - caffeinatedkuwaiti.blogspot.com
Egito - www.bigpharaoh.com
Iraque - iraqblogcount.blogspot.com
Líbia - http://lonehighlander.blogspot.com

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Mundo, estranho mundo

Ainda bem que eu detesto café...

GASTRONOMIA

Vai um cafezes?

Descubra qual o segredo do café mais exótico e saboroso do mundo

fcolavitti@edglobo.com.br

Você tomaria uma bebida feita com fezes de animal? Antes de responder, saiba que é esse o ingrediente especial do café mais raro, saboroso e caro do mundo, o Kopi Luwak, originário da Indonésia. Essa, digamos, excentricidade do café sempre foi considerada uma lenda urbana, até que um estudo realizado pelo pesquisador italiano Massimo Marcone, em 2004, confirmou o que deve ter feito o estômago de muitos apreciadores da iguaria revirar.

Os preciosos grãos são mesmo processados pelo sistema gastrointestinal e depois retirados dos excrementos da civeta, um mamífero parecido com um gato, que não existe no Brasil (na Indonésia, as palavras Kopi e Luwak significam, respectivamente, café e civeta). O animal come somente os frutos mais doces, maduros e avermelhados do café, que são digeridos pelo seu organismo, com exceção dos grãos, que são excretados junto com suas fezes. E é justamente essa produção limitada dos grãos (menos de 230 quilos por ano) o motivo de sua raridade, preço alto (cerca de mil dólares o quilo) e sabor inigualável, garantem os apreciadores. “Uma mistura de chocolate e suco de uva. Menos ácido e amargo do que os cafés comuns”, descreve Marcone.

Pesquisa valiosa
Massimo Marcone com os grãos de Kopi Luwak

Enzimas, bactérias e fezes
O pesquisador explica que à medida que o grão passa pelo sistema digestório do animal, ele sofre um processo de modificação parecido com o utilizado pela indústria cafeeira para remover a polpa do grão de café, mas que envolve bactérias diferentes das usadas pela indústria, além das enzimas digestivas do animal. É isso que dá ao Kopi Luwak seu sabor característico inigualável. Mas esse processo um tanto quanto esquisito de produzir café não representa riscos à saúde? “Os resultados dos testes que fiz em meus trabalhos mostraram que a bebida é perfeitamente segura”, garante Marcone.

Não existem registros precisos sobre a história do Kopi Luwak, mas acredita-se que sua origem data de cerca de 200 anos atrás, quando os colonizadores holandeses iniciaram plantações de café nas ilhas de Java, Sumatra e Sulawesi, onde hoje é a Indonésia.

É nessas ilhas que vivem as civetas, que começaram a se alimentar da planta. Para evitar o desperdício, os plantadores de café começaram a coletar os grãos que saíam intactos das fezes dos animais. Em algum momento alguém resolveu experimentar essa variedade aparentemente pouco apetitosa e descobriu o que hoje é considerado o café mais saboroso do mundo. E você, ficou com vontade de encarar?

Receitas para perder a fome
O Kopi Luwak não é o único alimento excretado por animais que consumimos. Veja outros exemplos
Vômito de abelha: O mel nada mais é do que isso. O néctar é transportado para o sistema digestório das abelhas, onde é misturado a enzimas que convertem seu açúcar em glicose e frutose. Ele se transforma em mel e é regurgitado pelas abelhas. É esse o produto final que consumimos.

Saliva de pássaro: É o ingrediente de uma sopa considerada uma iguaria na China (também conhecida como “caviar do oriente”). O pequeno pássaro constrói ninhos com sua própria saliva. Esse ninho (que literalmente vale ouro) é usado para o preparo da sopa. O prato é consumido em várias partes do mundo, inclusive nos EUA, que são o maior importador.

Fezes de cabra: É essa a origem de um tipo de óleo usado no Marrocos. O animal se alimenta de um tipo de fruta similar à oliva, que origina o óleo, depois seu caroço é coletado de suas fezes e se transforma em um óleo usado para cozinhar, como cosmético e na medicina local.

Cerveja de cuspe: A chicha é um tipo de cerveja produzido no Equador. Os grãos de milho são mastigados e cuspidos em um recipiente, onde as enzimas da saliva quebram o amido que depois será fermentado e misturado ao álcool.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Intelecto

    Eu tenho idéias e razões,
    Conheço a cor dos argumentos
    E nunca chego aos corações.

    Fernando Pessoa, 1932