segunda-feira, dezembro 03, 2007

Jacques Barzun, um intelecto elegante

VEJA, 10 de abril de 2002

Apagão na cultura

O historiador americano diagnostica
um mal-estar na civilização ocidental,
mas acha que a sua decadência
tem remédio

Carlos Graieb

"Gostaria de ter vivido no século XIX, a partir de 1830. Havia um sentimento de conquista no ar" Charles Ford


Publicado há dois anos nos Estados Unidos e agora lançado no Brasil, o livro Da Alvorada à Decadência (Editora Campus) é uma daquelas obras de deixar qualquer historiador com inveja. Cobre um período de 500 anos e defende a tese de que a cultura ocidental experimenta um processo de declínio. Suas páginas transpiram uma erudição impressionante e, como se não bastasse, estão recheadas de opiniões contundentes. A complacência, certamente, não faz parte do repertório de seu autor, o americano de origem francesa Jacques Barzun. Quando lhe perguntam quanto tempo levou para escrever um livro de tanto fôlego, ele responde: "A vida toda". Barzun tem 94 anos – e conserva intacta sua lucidez. Passou a infância na Paris dos modernistas. Mudou-se para os Estados Unidos na década de 20, para estudar na Universidade Colúmbia. Como professor, foi um dos fundadores da disciplina de história cultural. Ele concedeu esta entrevista a VEJA por telefone, de sua casa em San Antonio, no Texas.

Veja – O que o leva a pensar que a cultura ocidental está em decadência?
Barzun – A palavra decadência expressa uma perda de energia. Transmite a idéia de que as chaves mestras da cultura já não têm o poder de abrir novas portas, de inspirar avanços. No lugar das possibilidades há repetição, estagnação e tédio. Há sinais de sobra de que isso está acontecendo no Ocidente. As confissões de mal-estar são contínuas, o repúdio e a deturpação das instituições são uma constante. Tomemos o Estado-Nação, por exemplo. Ele foi uma das maiores invenções de nossa era. Mas está se desfazendo em toda parte, porque a idéia de pluralismo político, sobre a qual se assentava, foi substituída pela idéia de separatismo. Mais e mais os homens querem unir-se em grupos pequenos de pensamento homogêneo, que formem unidades políticas separadas. A região dos Bálcãs, claro, é o exemplo clássico. Mas o processo pode ser observado em qualquer lugar, da Catalunha à Escócia, que há pouco instituiu um Parlamento independente do Parlamento inglês. Outro indício está na busca de tantos ocidentais por seitas e religiões que vêm do Oriente e trabalham idéias como a do nirvana ou a do "não-ser". Isso não é um sinal de entusiasmo com a nossa cultura.

Veja – E no campo das artes?
Barzun – O esgotamento é ainda mais patente. Observe a agitação frenética, os esforços desesperados para criar novidades. Os rótulos se sucedem – da "antiarte" à "arte encontrada", à "arte descartável" e assim por diante. As belas idéias surgidas na Renascença, e com as quais lidamos por 500 anos, tiveram seu prazo de validade vencido. Tome uma obra escrita no auge da Renascença, o Pantagruel, do francês Rabelais, e um livro escrito no auge do modernismo, o Ulisses, do irlandês James Joyce. Joyce tomou muitos temas e procedimentos lingüísticos emprestados de Rabelais. Ambos expõem recantos sórdidos da sociedade, ambos exploram vigorosamente a carnalidade humana. Mas, enquanto a literatura do francês nos deixa estimulados e eufóricos, a de Joyce é depressiva. Basta ler os dois livros para perceber as diferenças de ânimo entre uma cultura em sua aurora e uma cultura em desencanto.

Veja – O senhor parece ter uma opinião ambígua sobre a arte moderna. Reconhece a força de certos artistas, mas lamenta de maneira geral o espírito com que fizeram suas obras.
Barzun – Nos primórdios, o modernismo foi uma batalha para livrar o artista de padrões ancestrais de educação e liberá-lo para desenvolver uma visão individual do mundo. Mas tudo que os artistas viram foi um mundo injusto, materialista, desprezível. Desde os anos 20, pelo menos, a arte ocidental tem sido de destruição deliberada da sua própria tradição e de hostilidade contra a sociedade, de maneira geral. O trabalho de destruição das pontes com o passado acontece até mesmo onde o repertório utilizado é antigo. Veja o caso das produções teatrais. Hoje ninguém mais encena Shakespeare. Encenam falsificações que nem sequer se preocupam em entender as intenções originais do artista.

Veja – O senhor criou um rótulo para o momento presente. Diz que vivemos em "tempos demóticos". O que quer dizer com isso?
Barzun – Fiz isso em nome do bom uso das palavras. As pessoas costumam referir-se a práticas "democráticas" não apenas no campo político, mas também no das artes e do comportamento. Eu preferiria manter a palavra democracia para designar apenas um sistema político – que, diga-se de passagem, não atingimos de maneira plena em lugar nenhum. Para designar coisas relativas a modo e estilo de vida – roupas, comidas, formas de expressão –, tomei emprestada do grego uma palavra de mesma raiz, "demótico", que significa simplesmente "do povo". A primeira moda demótica surgiu logo depois da Revolução Francesa, quando os calções da aristocracia foram abandonados em favor da calça do trabalhador. Hoje, não é preciso dizer, a calça jeans de vaqueiro tornou-se universal – com suas variantes desbotadas, rasgadas e mal-ajambradas. Mas a vestimenta é apenas o sinal mais óbvio do estilo demótico, que está em seu auge e é marcado pela displicência e pela crença de que nada deve interferir na realização de todo e qualquer desejo.

Veja – Nas últimas décadas, vários países que viviam sob regimes ditatoriais entraram em processo de democratização. Bens circulam pelo globo e a medicina ajuda a salvar vidas em países pobres. Esses eventos são regidos por idéias e técnicas surgidas no Ocidente. Não seriam um sinal de que a cultura ocidental ainda tem algo a oferecer?
Barzun – É como eu disse no começo da entrevista: o termo decadência expressa uma perda de energia, não um estado de ruína total. Ainda há idéias ocidentais capazes de inspirar e servir de guia para países jovens. E não há dúvida de que a ciência e a tecnologia do Ocidente continuarão a produzir avanços e benesses. É uma ressalva, aliás, que faço em meu livro: a ciência não passa pelo processo de declínio observado em outras áreas. Mas isso não invalida o diagnóstico geral. Digamos que o estado da alma ocidental não é feliz. Não encontramos ninguém dizendo a frase de Erasmo no começo da Renascença, e que os franceses repetiram depois da Revolução de 1789: "Que tempo maravilhoso para se viver!".

Veja – Supondo que o senhor esteja certo, o que vem depois da decadência?
Barzun – Ninguém sabe – e esse é o fato positivo. Meu livro procura descrever um estado presente, e não fazer profecias. Certos germes sempre podem se desenvolver numa cultura e causar uma fermentação que a leve a caminhos imprevistos. Foi o que aconteceu no fim do século XV, quando a descoberta do Novo Mundo balançou a Europa e abriu possibilidades antes inimagináveis.

Veja – Existe alguma época em que o senhor gostaria de ter vivido?
Barzun – No século XIX, a partir de 1830. Foi um tempo de grande inventividade em toda a Europa. A era se autonomeou Era do Progresso, e com razão. Foi um tempo de luta contra os resquícios da monarquia e do velho sistema de classes. Havia um sentimento de conquista, energia e desenvolvimento no ar. O ambiente mais adequado ao espírito humano.

Veja – Sua vida atravessa o século XX quase inteiro. Sua vivência pessoal influiu de alguma forma em sua visão de historiador?
Barzun – Sim, é claro. Eu nasci e passei os primeiros anos de vida na França, onde meu pai e minha mãe eram amigos e colaboradores da nova geração de artistas que surgia. Os pintores cubistas freqüentavam nossa casa, assim como muitos escritores, do romancista André Gide ao poeta Apollinaire, sobre cujos joelhos eu aprendi a ler as horas num relógio. Eu compartilhei da atmosfera de alegria e excitação criativa que envolvia essas pessoas. Olhando em retrospecto, sinto-me uma testemunha e digo como historiador que aquele foi um dos grandes períodos criativos de nossa cultura. Então veio a I Guerra Mundial, que estilhaçou de maneira brutal a idéia que todos fazíamos do que fosse a civilização. Quando entrei na adolescência, depois de atravessar quatro anos de conflitos, tinha desenvolvido um quadro de depressão profunda que me levou a tentar o suicídio. Esse fato, aliado à dizimação dos quadros de professores universitários da França e da Inglaterra, foi a causa de minha mudança para os Estados Unidos, onde completei os estudos. Minha sensação de viver num mundo em declínio não é recente, portanto. Nos anos 50, cheguei a ter a impressão de que nos encaminhávamos para uma reviravolta positiva, mas foi um engano de minha parte. Esse intervalo não durou quase nada. A trajetória descendente se acentuou no fim dos anos 60.

Veja – Esse período de decadência descrito pelo senhor coincide com a expansão da influência da cultura americana pelo globo. Como cidadão de duas culturas, a francesa e a americana, o senhor deplora o que se convencionou chamar de americanização da cultura?
Barzun – Acho tolice culpar os Estados Unidos. Diria, antes, que o país está na vanguarda de seu tempo. Se esse tempo é de decadência, os efeitos se sentem primeiro aqui. Não há nada que obrigue países de sólida tradição cultural, como a França ou a Inglaterra, a imitar modas criadas pelos americanos. Mas eles o fazem, o que mostra que certas correntes de comportamento são inerentes à nossa época. Onde está escrito, por exemplo, que é imperativo "democratizar" a educação ao estilo dos Estados Unidos? No sentido que a palavra assumiu, ela não significa tornar a educação acessível a todos, mas simplesmente baixar sua qualidade, de modo a tornar possível que todo mundo deslize pelos anos de escola sem esforço. Vejo por isso com muito ceticismo e ironia certos discursos feitos na França, por exemplo, que falam em proteger a língua e a cultura nacionais. O que as últimas décadas fizeram à língua francesa realmente me deixa um pouco irritado. Palavras inglesas são adotadas de maneira indiscriminada, às vezes mesmo na presença de equivalentes perfeitamente utilizáveis. Essa adoção ignorante, sem nenhuma forma de filtragem e adaptação, é uma força destrutiva da cultura. Só que agora me parece um pouco tarde para reclamar.

Veja – A América Latina praticamente não é citada em seu livro. Não há contribuições do subcontinente à cultura ocidental?
Barzun – As sociedades latino-americanas são extensões da civilização européia. Politicamente, não contribuíram com nenhuma idéia original para o Ocidente. No campo das artes, é possível destacar nomes e movimentos importantes – mas não a ponto de ter mudado os rumos da cultura. O argentino Jorge Luis Borges, por exemplo, é um escritor que admiro imensamente. Mas não o cito de maneira específica no livro, porque se trata de uma estrela em uma vasta constelação. Em outras palavras, ele pertence ao universo da arte modernista tardia que discuto no livro. Citei outros nomes, de igual peso, em vez do dele.

Veja – Seu livro traz várias pequenas biografias de personagens da cultura ocidental. Algumas escolhas são óbvias, como as de Martinho Lutero e René Descartes. Outras podem ser consideradas excêntricas, como a da escritora de romances policiais Dorothy Sayers. Quais critérios o guiaram na escolha de nomes?
Barzun – Ao mencionar Dorothy Sayers, Walter Bagehot ou James Agate, para ficar apenas em alguns ingleses, não estou apenas dando espaço a preferências pessoais. Estou tentando indicar nomes cuja influência ainda não foi devidamente reconhecida. Bagehot, por exemplo, foi um dos pensadores mais originais do século XIX. Dirigiu a revista inglesa The Economist por dezessete anos e deixou doze volumes de comentários extremamente lúcidos sobre a política e a economia de seu tempo. Agate ajudou a formar o gosto artístico de seus compatriotas no começo do século XX – além de ter sido autor de um diário que ocupa nove tomos, cobre um período de quinze anos e é um retrato sem igual da Inglaterra do seu tempo. Sayers, finalmente, é uma das grandes teóricas dessa importante forma de ficção popular, o romance policial. É também uma pensadora original no campo da religião. As pessoas deveriam conhecer esses nomes, e algo sobre o que disseram.

Veja – Em contraste, o senhor dedica muito pouco espaço a figuras consideradas fundamentais: Darwin, Marx e Freud. Por quê?
Barzun – Creio que, ao fazer isso, estou em sintonia com o estado atual da reputação dessas pessoas. Em todo o mundo, o pensamento marxista está em refluxo. Marx sofreu uma perda enorme de influência como teórico político. Alguns de seus textos filosóficos ainda são valorizados – mas sobretudo aqueles escritos na juventude, antes de O Capital. A retração na influência de Freud também é visível. Seu legado está sob ataque e nem de longe se fala tanto nele quanto na primeira metade do século XX. O caso de Darwin talvez seja o mais polêmico. Creio, no entanto, que a importância dada a ele está em descompasso com suas conquistas reais. A idéia da evolução das espécies já circulava 100 anos antes dele. O que Darwin fez foi propor um mecanismo para a evolução, a célebre idéia da seleção natural. Ora, se esse mecanismo realmente funciona como ele descreveu, é algo que os biólogos discutem acaloradamente hoje em dia. Anos atrás, um biólogo do Instituto Pasteur, na França, me disse que ninguém mais lá dentro aceitava ser chamado de darwinista. Não quero dizer com isso que devemos retornar ao criacionismo, à idéia de que as espécies foram criadas por Deus da forma como são hoje. Quero dizer apenas que o desenvolvimento da ciência tem postona como ele descreveu, é algo que os biólogos discutem acaloradamente hoje em dia. Anos atrás, um biólogo do Instituto Pasteur, na França, me disse que ninguém mais lá dentro aceitava ser chamado de darwinista. Não quero dizer com isso que devemos retornar ao criacionismo, à idéia de que as espécies foram criadas por Deus da forma como são hoje. Quero dizer apenas que o desenvolvimento da ciência tem posto em questão vários postulados da cartilha darwinista, algo que passa despercebido por quem não está enfronhado nas discussões.

Veja – Se tivesse de escolher dois nomes representativos dos períodos de auge e declínio da civilização ocidental, quais seriam eles?
Barzun – No que se refere ao auge, eu hesitaria entre Shakespeare e Montaigne. Poderíamos dizer que ambos inventaram o indivíduo, por oposição ao tipo social. Hoje em dia, não somos apenas cidadãos ou trabalhadores, mas também indivíduos aos nossos próprios olhos, graças a esses dois escritores. Um deles é poeta e dramaturgo inglês, o outro prosador analítico francês: ambos inventaram modos de expressar a personalidade. O nascimento do indivíduo e do individualismo foi fundamental, porque encorajou a invenção nas artes, fomentou a diversidade e a diferença. Além disso, foi germe para que, na política, surgissem idéias como a de direitos humanos. No outro extremo, o do declínio, eu indicaria Pablo Picasso e Marcel Duchamp – cuja família, por sinal, era muito próxima da minha. A despeito da grandeza de ambos, eles formam um incomparável par de destruidores. Em Duchamp, sobretudo, é possível ver a imaginação trabalhando deliberadamente em favor da quebra, da paródia inclemente. Duchamp é um nome paradigmático. Está na origem da escola que impera atualmente, quando não existe diferença entre uma obra de arte e o produto que você encontra no armazém da esquina.

Veja – O que o futuro reserva aos clássicos?
Barzun – Os clássicos parecem estar afundando rapidamente no esquecimento. Mas isso já aconteceu antes. A Renascença trouxe de volta obras da Antiguidade que estavam completamente perdidas. Não há motivo para um pessimismo terminal. É preciso persistir no ensino dos clássicos. Não é fácil, já que uma quantidade básica de informação histórica se faz necessária, para que as obras não sejam vistas fora da perspectiva adequada e completamente distorcidas. Mas os benefícios são óbvios. Ler os clássicos é um maravilhoso exercício de raciocínio e imaginação.

domingo, dezembro 02, 2007

Jacques Barzun, um intelecto elegante - 2

Age of Reason

In his hundred years, Jacques Barzun has learned a thing or two.

by Arthur Krystal October 22, 2007


The secret to Barzun’s erudition is a delight in learning.

The secret to Barzun’s erudition is a delight in learning.

For the past few years, Jacques Barzun has been dreaming more and more in French. Sometimes two people are speaking—one in English, the other in French—as though nothing could be more natural than the cadences of one language summoning the other. If awakened by the chatter, Barzun isn’t sure whether he has dreamed in French and incorporated a native English speaker, or vice versa. He finds these conversations oddly soothing, but he recognizes that they’re a sign of aging, the tic of a mind seeking a moment when all the world spoke French.

These days, Barzun doesn’t have much occasion to speak the language of Flaubert, whose grammar and syntax, by the way, he considers slovenly. He lives with his wife, Marguerite, in her home town of San Antonio, Texas, where he retired after spending more than seventy years in New York, most of them on the faculty of Columbia University. Barzun is usually out of bed by 6 A.M. He brews coffee, reads the San Antonio Express-News, exercises for forty minutes, and heads down the hall to his study. After lunch, he dips into the manuscripts and books that people send him, answers letters, and takes calls from family members and friends. In the afternoon, he likes to read in the sunroom, whose white brick walls and black-and-white tiled floor accommodate without protest a mélange of armchairs and end tables of no particular style. But then all the furnishings in the house—including the art: Piranesi fortifications, Daumier scenes of Parisian life, Expressionist studies by Cleve Gray, and bright watercolors of flowers and plants by Marguerite—have an aesthetic compatibility that seems to issue more from accident than from design. Cocktails are at six-thirty (Barzun favors Manhattans); a light dinner follows, then a session with the New York Times. Barzun doesn’t watch TV and is usually in bed by nine-thirty. Not long afterward, someone starts speaking in French.

Next month, Barzun, the eminent historian and cultural critic, will turn one hundred. His idea of celebrating his centenary is to put the finishing touches on his thirty-eighth book (not counting translations). Among his areas of expertise are French and German literature, music, education, ghost stories, detective fiction, language, and etymology. Barzun has examined Poe as proofreader, Abraham Lincoln as stylist, Diderot as satirist, and Liszt as reader; he has burnished the reputations of Thomas Beddoes, James Agate, and John Jay Chapman; and he has written so many reviews and essays that his official biographer is loath to put a number on them. There’s nothing hasty or haphazard about these evaluations. Barzun’s breadth of erudition has been a byword among friends and colleagues for six decades. Yet, in spite of his degrees and awards (he was made a Chevalier de l’Ordre National de la Légion d’Honneur and has received the Presidential Medal of Freedom), Barzun regards himself in many respects as an “amateur” (the Latin root, amator, means “lover”), someone who takes genuine pleasure in what he learns about. More than any other historian of the past four generations, Barzun has stood for the seemingly contradictory ideas of scholarly rigor and unaffected enthusiasm.

One of those enthusiasms produced what may be his most frequently quoted sentence: “Whoever wants to know the heart and mind of America had better learn baseball.” The line, extracted from his book “God’s Country and Mine,” is inscribed on a plaque at the Baseball Hall of Fame and routinely trotted out by news anchors and NPR commentators. Sometimes, Barzun worries that after his books go out of print only those fourteen words will be remembered. Or so he said one evening not long ago, when I was visiting him in San Antonio. We had finished dinner and were sitting in the living room. When he saw me looking at a portrait of his mother by Albert Gleizes, Barzun remarked that it was the third Cubist portrait ever done. “Not the third Cubist picture,” he cautioned, “the third Cubist portrait.” He thinks the first may have been Picasso’s “Woman Seated in an Armchair,” and the second Gleizes’s “Portrait of Jacques Nayral.” Barzun’s taste and attitudes were formed at the beginning of the modernist movement—he played in Duchamp’s studio and attended the orchestral opening of Stravinsky’s “Le Sacre du Printemps”—and he has yet to come around to the cultural aftermath.

Barzun’s declinist views about Western civilization are no secret. One reason that “From Dawn to Decadence,” an eight-hundred-page history of Western civilization from 1500 to the present, which he published at the age of ninety-two, was such an improbable best-seller (“the damnedest story you’ll ever read,” David Gates called it in Newsweek) was its contention that Western civilization is winding down, that “the forms of art as of life seem exhausted.” But, when Barzun insists that he sees “the end of the high creative energies at work since the Renaissance,” his tone is less that of someone appalled by what’s happening than of someone simply recording the ocean currents.

Barzun began to appreciate the transience of civilization almost as soon as he learned what the word meant. Born outside Paris in 1907, he was six years old when the First World War broke out. Early on, he had a sense that, in Paul Valéry’s harsh aperçu, “a civilization has the same fragility as a life.” The war shattered the world that he knew and, as he later wrote, “visibly destroyed that nursery of living culture.” This isn’t entirely a figure of speech. On Saturdays before the war, his parents’ living room had been a raucous salon where many of Europe’s leading avant-garde artists and writers gathered: Varèse played the piano, Ozenfant and Delaunay debated, Cocteau told lies, and Apollinaire declaimed. Brancusi often stopped by, as did Léger, Kandinsky, Jules Romains, Duchamp, and Pound.

In 1914, when the shells began to fall, the visits gradually ceased; soon came the names of the dead. His parents tried to conceal the losses, but the boy became depressed and, as he learned later, began hinting at suicide. At the age of ten, his parents bundled him off to the seashore at Dinard, where he immersed himself in Shakespeare and James Fenimore Cooper.

It’s tempting to relate Barzun’s skepticism about recent cultural developments (he’s inclined to regard the provocations of later artists, from John Cage to Damien Hirst, as leaves from a tree that was planted before the First World War) to the intensity of his childhood milieu and its abrupt disappearance. Barzun readily acknowledges that the accident of birth is “bound to have irreversible consequences,” but he rejects the idea that his character or sense of the world derives from any loss that he might have suffered as a child. In fact, when I broached the possibility that his precise way of formulating ideas and strict attention to empirical evidence are distinctive qualities of the civilization that he saw disintegrate before his eyes, his response was gently quizzical. “Why must you find trauma where there is none?” he asked. “I grew up a child of a bourgeois family, with emancipated parents who surrounded themselves with people who talked about ideas. My views were formed by my parents, by the lycée, and by my reading. How else should I be?”

With the war over, Barzun’s father, the poet and diplomat Henri Martin Barzun, offered his only son a choice of completing his studies in England or in America. Barzun, with visions of Chingachgook dancing in his head, didn’t hesitate, and in 1920 the family settled in New Rochelle. Barzun, with the aid of tutors, entered Columbia at fifteen. His student life presaged his professional one. He majored in history, reviewed theatre for the daily Spectator, edited the monthly literary magazine, became the president of the Philolexian Society, and, together with his friend Wendell Hertig Taylor, kept a running tally of every mystery book that came along. Their brief descriptions, scribbled on three-by-five-inch index cards, eventually coalesced into “A Catalogue of Crime,” one of the foremost reference works in the mystery/suspense genre. He also managed to graduate as valedictorian of his class, a feat he considers less impressive than having written the 1928 Varsity Show, “Zuleika, or the Sultan Insulted.”

Barzun joined the history faculty a year after graduating, at a moment when British and American universities, despite a general dislike of things Teutonic, were in thrall to the ideal of Wissenschaft, or scientific knowledge. Philosophers such as Wilhelm Dilthey had argued that history was a succession of conceptual forms and styles, capable of being classified and studied methodically. (Another German, of course, had maintained that class struggle was actually the transformative force behind historical events.) History was now thought too serious to be left to biographers and storytellers; and even Lord Acton urged his students to “study problems in preference to periods.” Barzun, though hardly a practitioner of the old popes-and-princes school of history (his first books examined ideas about race and freedom), disapproved of attempts to refashion history as a social science. History wasn’t “a piece of crockery dredged up from the Titanic,” he wrote; it was, “first, the shipwreck, then a piece of writing.” He demanded, therefore, that historical narrative include “the range and wildness of individuality, the pivotal force of trifles, the manifestations of greatness, the failures of unquestioned talent.” His models were Burkhardt, Gibbon, Macaulay, and Michelet, authors of imperfect mosaics characterized by a strong narrative line. As for philosopher-historians like Vico, Herder, and Spengler, Barzun held that they did not, despite creating prodigious works of learning, write histories at all: “It is not a paradox to say that in seeking a law of history those passionate minds were giving up their interest in history.”

In Columbia, Barzun found a genial host for his far-flung interests. In addition to the broadly conceived Contemporary Civilization course, Columbia offered a General Honors class—later, the Colloquium on Important Books—that let a select group of upperclassmen read the Western classics with instructors from two fields. When Barzun was assigned to the Colloquium, in 1934, his teaching partner was the English instructor Lionel Trilling. Among the most influential literary critics to emerge from the academy, Trilling admitted late in life that he had once stood “puzzled, abashed, and a little queasy” before the “high artistic culture of the modern age,” a discomfort no doubt torqued by sitting at a table next to a man whose mind had been formed at first hand by that culture. The Colloquium, as the word implies, was a conversation, and in 1934 it became not merely a conversation between instructors and undergraduates but also a dialogue between the two men that lasted until Trilling’s death, in 1975.

Dissimilar in many respects, the urbane, Americanized Frenchman, with his easy manner, and the shy, intense, Jewish writer-aspirant from Queens, who had only recently renounced his Marxist views, soon shared their thoughts, showed each other drafts of their work, and gradually began to carve out a new discipline in American education. They broadened the critical spectrum to include the biographical and social conditions attending the creation of any cultural artifact, and rerouted the notion of individuality or genius toward a busy intersection where various historical forces converged.

Barzun and Trilling, it could be said, also broadened each other. One day in the mid-nineteen-thirties, they began talking about novelists, and Barzun mentioned his admiration for Henry James. Trilling, who had read only a few of James’s stories, replied that he thought him not much more than a “social twitterer.” Barzun pressed upon him “The Pupil” and, as he recalls, “The Spoils of Poynton.” Trilling was duly persuaded, and marched off to convince Phillip Rahv and William Phillips, the editors of Partisan Review, that James was a writer to be taken seriously—and within five or six years he was.

At the Colloquium, books and ideas were thrown open to discussion; almost every approach was tolerated. “Cultural criticism” was Barzun and Trilling’s coinage for their lack of method, and it worked so well that, in the mid-fifties, Fred Friendly, an executive producer at CBS News, tried (and failed) to persuade the two men to offer a version of the Colloquium for television. “It was awe-inspiring,” the historian Fritz Stern, a 1946 alumnus of the Colloquium, recalled recently. “There I was, listening to two men very different, yet brilliantly attuned to each other, spinning and refining their thoughts in front of us. And when they spoke about Wordsworth, or Balzac, or Burke, it was as if they’d known him. I couldn’t imagine a better way to read the great masterpieces of modern European thought.”

The class met on Wednesday evenings, and, as the decades passed and more specialized approaches to literature emerged, Barzun and Trilling remained committed to the essential messiness of culture. Neither the self-isolating pieties of the New Critics, nor the technical proficiency of the Russian Formalists, nor the class-bound shibboleths of Marxist writers held sway in their classroom. As a result, they were condemned, as Barzun recalled, “for overlooking the autonomy of the work of art and its inherent indifference to meaning; for ignoring the dialectic of history,” not to mention “the ‘rigorous’ critical methods recently opened to those who could count metaphors, analyze themes, and trace myths.”

Basically, Barzun and Trilling cast themselves in the Arnoldian mold of relating culture to conduct. Matthew Arnold believed that judging books “as to the influence which they are calculated to have upon the general culture” would help realize man’s better nature and, thus, eventually improve society itself. Trilling and Barzun were less dreamy about the critic’s power, but, like Arnold, they saw no fissure between moral and aesthetic intelligence. They interpreted books liberally and wrote about them with a fluency and a precision befitting R. P. Blackmur’s definition of criticism as “the formal discourse of an amateur.”

For all that, Barzun was never a “New York intellectual.” He occasionally fraternized with the Partisan Review crowd, but he avoided the sectarian wars that seemed to fuel their lives and work; he appears only marginally in most accounts of the literary figures who rotated around the magazine. Yet, when a mid-century issue of Time came out with a lead article entitled “America and the Intellectual,” it wasn’t Edmund Wilson, or Lionel Trilling, or Sidney Hook, or Mark Van Doren whose likeness appeared on the cover (though all were mentioned inside); it was that of a man who hadn’t even been born here.

Around 1941, Barzun took on a larger classroom, becoming the moderator of the CBS radio program “Invitation to Learning,” which aired on Sunday mornings and featured four or five intellectual lights discussing books. From commenting on books, it was, apparently, a short step to selling them. In 1951, Barzun, Trilling, and W. H. Auden started up the Readers’ Subscription Book Club, writing monthly appreciations of books that they thought the public would benefit from reading. The club lasted for eleven years, partly on the strength of the recommended books, which ranged from Kenneth Grahame’s “The Wind in the Willows” to Hannah Arendt’s “The Human Condition,” and partly on the strength of the editors’ reputations.

Barzun’s public reputation had been made with the appearance of “Romanticism and the Modern Ego” (1943), which defied prevailing opinion by arguing that the difference between the ostensibly unruly Romantic movement and the ostensibly neoclassical Enlightenment was fundamentally social and political, not aesthetic. “The Romanticists’ point was in fact not an emotional point at all,” Barzun claimed, “but an intellectual point about the emotional life of man.” It was a bold statement to make at a time when Eliot’s condescensions to the early-nineteenth-century poets dominated literature departments, and perhaps it took a historian to recognize that Eliot’s distrust of personality and radicalism caused him to misjudge the Romantics’ debt to, among others, Rousseau and Kant. As Barzun laid it out, Romanticism was no aberrant aesthetic movement but reflected an intellectual sensibility perfectly suited to a hectic and idealistic age. In short, he helped make Romanticism respectable.

Although Barzun’s influence on literary studies is difficult to assess, there’s little doubt about his role in the revival of Hector Berlioz. Barzun had heard Berlioz’s “Rakoczy March” at a children’s concert in Paris when he was four or five, and, nearly forty years later, when putting the finishing touches on his biography of the composer, he noticed that the French and German scores of “Roméo et Juliette” contained a small discrepancy. (The placing of mutes on the strings at one point in the Love Scene was different.) He happened to mention this to Toscanini’s assistant, and a few days later he was having tea at Toscanini’s house in Riverdale, discussing music in general and Berlioz’s instrumentation and harmonics in particular.

Toscanini was one of a small number of musicians at mid-century who admired Berlioz. The rest of the music world, along with “conservatives, clerics, liberals and socialists,” Barzun wrote, “all joined in repudiating” the Romantic style. But, where others heard in Berlioz disorder and bombast, Barzun discerned exuberance, vividness, and dramatic flair. When he listened to Berlioz, Barzun heard “Gothic cathedrals, the festivals of the Revolution, the antique grandeur of classic tragedy, the comic force of Molière and Beaumarchais, and the special lyricism of his own Romantic period.” Barzun didn’t just like Berlioz’s music; he liked the mind that made the music, and his two-volume “Berlioz and the Romantic Century” (1950) not only spurred revisionist studies of Berlioz but also brought his music back into a general repertoire. “When I left school, I had to educate myself, and Jacques Barzun was part of my education,” the British conductor Sir Colin Davis told me. Davis had lobbied for Berlioz’s music in England and in 1969 he conducted a magnificent performance of “Les Troyens” in London that eventually led to his recording all Berlioz’s major works.

As much as he wrote about music and literature, Barzun was no unworldly aesthete, and his practical and political side was put to the test in 1958, when he assumed the inaugural post of provost and dean of faculties at Columbia. He remained provost for ten years and is generally credited with extricating the university from its financial and administrative woes. He also replaced the music played at graduation with the march from “Les Troyens.” Barzun returned to teaching the history of Western civilization just as it was coming under attack by various Continental theorists, whose repudiation of hierarchical structures and determinate meaning challenged everything that Barzun believed in. In the nineteen-seventies and eighties, Barzun became a symbol of the Old Guard, a mandarin scholar futilely defending the works of dead white males. Even as late as 1990, he had a walk-on in Henry Louis Gates, Jr.,’s smart, hardboiled spoof of the canon wars, dressed in evening clothes and packing a .38 Beretta, holding forth on standards and errors of usage.

In truth, Barzun looked the part of someone who embodied tradition. He stood a straight-up six feet two inches and wore clothes that, if not expensive, looked expensive on him. His hair was silver, his forehead high and broad, and his nose long and straight, with a slight dip at the end. He looked ambassadorial, and possessed an air of authority that had less to do with giving orders than with the expectation that he would be listened to. Carolyn Heilbrun, one of the first female professors in Columbia’s English and Comparative Literature Department, remembers that she felt patronized by Trilling and other male faculty, but she wrote about Barzun almost reverently:



No picture of him I have seen, whether rendered by a photographer or by an artist, captures either his physical or his inner qualities. Obvious to the mere observer or the frightened student were his aristocratic way of carrying himself, suggesting arrogance, his impeccable clothes, his neat hair, his studious, exact, but never hesitant speech, his formidable intelligence. I have known history students tempted for the first time in their lives to plagiarize a paper because they could not imagine themselves writing anything that would not affront his critical eye, let alone satisfy him.

When I first encountered Jacques Barzun, in January of 1970, he was sixty-two and I was twenty-two. He was the University Professor of History at Columbia; I was a first-year graduate student in the English and Comparative Literature Department. He lived on upper Fifth Avenue; I lived in the Bronx, near Kingsbridge Avenue. He attended the opera; I hung out at revival movie theatres. He wore bespoke suits; I didn’t own a suit. He said “potato”; I said “pot.” Perhaps because we didn’t really know each other (to me, he was just a name following the introduction to my Bantam edition of “Germinal”; to him, I was just another student in a green Army jacket who smoked filterless Camels), Barzun and I hit it off.

After I began to read his books, I noticed that the historian and the critic had distinctive voices. When Barzun is compressing great batches of information, his prose races across spatial and chronological vistas, delivering facts, their causes and implications, in a strictly utilitarian, almost rat-a-tat manner. When he’s addressing an artist’s work, however, the prose becomes redolent, more capacious, its syntactical flourishes a tacit reflection of real appreciation. Very few historians could so confidently gauge a writer’s mind:



Shaw knows at any moment, on any subject, what he thinks, what you will think, what others have thought, what all this thinking entails. . . . Shaw is perhaps the most consciously conscious mind that has ever thought—certainly the most conscious since Rousseau; which may be why both of them often create the same impression of insincerity amounting to charlatanism.

Not everything that Barzun wrote struck me with equal force, and some years later, when I edited a compilation of his essays, I made so bold as to tinker with his style. The editorial process led to a spate of letters, highlighting our asynchronous temperaments. During one exchange, I suggested that the importance of what he was saying warranted heightened language. His reply came so fast that I thought he’d bounded across Central Park and put the letter in my mailbox himself. “You are a sky-high highbrow,” he wrote. “Me, I suspect highbrows (and low- and middle-) as I do all specialists, suspect them of making things too easy for themselves; and like women with a good figure who can afford to go braless, I go about brow-less.” Undeterred, I offered to rewrite the passages in question. My changes were acknowledged with fitting tribute. “To put it in a nice, friendly, unprejudiced way,” he responded, “your aim as shown in your rewritings of the ‘objectionable’ sentences strikes me as patronizing, smarmy, emetic!” My heart swells when I contemplate that exclamation point, as he seldom resorts to one.

Barzun doesn’t often emote on paper and is even less inclined to do so in person. When you talk to people who know him, the same adjectives pop up: “composed,” “distant,” “removed,” “reserved.” It’s not that friends find him cold or unhelpful; it’s just that Barzun exudes a formality that inhibits the exchange of intimate confidences. He doesn’t jabber. He won’t gossip about his friends or discuss his marriages (there have been three) or family (he has three children). After all, what does any of this have to do with his work? When I raised the prospect of talking to him about his life, he sighed and said, “It’s not a subject I’m interested in.” Still, I thought, he must confide in some people. So I asked Shirley Hazzard, whose husband, the French scholar Francis Steegmuller, was in the same class as Barzun at Columbia, if Barzun had ever revealed anything about his private life to her. Her reply was almost a reprimand: “If you know Jacques, you know that he doesn’t talk about those things.”

And yet Barzun is not all genteel restraint, something that Sir Colin Davis touched on when we spoke about Barzun’s appreciation of Berlioz: “Such an interesting figure, Berlioz—so intelligent and self-conscious, but also volatile and passionate. I rather think Jacques is like that—his internal life, I mean, not his personal life.” Barzun’s prose may not give off much heat, but over and over one finds paeans to pure feeling, to the sensuous response to experience. Like William James (his favorite philosopher), Barzun believes that feeling is at the root of all philosophy and art. “The greatest artists have never been men of taste,” Barzun wrote, with Berlioz in mind. “By never sophisticating their instincts they have never lost the awareness of the great simplicities, which they relish both from appetite and from the challenge these offer to skill in competition with popular art.” Because Barzun is so coolly analytical in his own work, one might infer that he would be drawn to poets of fine discrimination, to ingenious symbolists like Mallarmé and Valéry, and yet it’s the rude vitality of Molière and Hugo that engages him.

Obvious emotionalism is not the point; it’s the courage to be emotional that matters. Barzun has observed that “the vulgarity of mankind,” in the sense of the common man’s intense awareness of life—life with all its brief pleasures and bruising shocks—“is not only a source of art but the ultimate one.” It’s easy enough to understand why people don’t immediately see this side of Barzun, and pass over, without notice, sentiments such as “And when will art cease to be something so exclusively for nice people?” or “Reading history remakes the mind by feeding primitive pleasure in story.”

Barzun always seemed to know everything you had ever read or thought about reading one day, and he seemed just as comfortable talking about German architecture as about Venetian politics. “He was terrifying,” Steven Marcus, a former dean of Columbia College, recalled about the experience of being his student. “He would disgorge an absolutely enormous amount of information during his lectures, more than anyone could possibly remember, and what you felt was—you felt you couldn’t compete. I mean, you could imagine maybe one day writing something on the order of Trilling—maybe. But how could you ever know as much as Barzun did?” The charge against Barzun, accordingly, was that he spread himself too thin. As Marcus explained, “I think his natural reserve and the variegated subject matter have caused him to be taken less seriously by the intellectual crowd that runs literature departments and literary quarterlies.”

Barzun, though, never intended to write for that crowd. Instead, as he put it in a letter to me, he wanted “to write for a quite different, less homogeneous group: academics in other departments than English, people with a non-professional interest in the arts (doctors who play music, lawyers who read philosophy) and a certain number of men and women in business and philanthropy, in foundations and newspapers or publishing houses.” In writing for a general audience, Barzun was taking sides in an old debate about the relationship between the intellectual writer and the reading public. It was a question not of how much the reading public could bear but of who constituted that public. When Dr. Johnson wrote, “I rejoice to concur with the common reader,” he could count on that reader to actually read or hear about his rejoicing. He was speaking, after all, about a relatively small number of educated Brits who owned businesses or property and could afford to buy books. When Barzun began writing, the size and diversity of the reading public discouraged such assumptions.

Barzun wanted to do on the page what he did in the classroom: help the reader “carry in his head something more than the unexamined history of his own life,” not because knowledge is inherently good or makes one a better person but because it fosters an independence of mind. The more one learns about the course of civilization, he believed, the more one can appreciate its achievements. After a while, if you learn enough, you can argue that, say, Shaw’s mind more closely resembles Rousseau’s than Voltaire’s—and you may actually enjoy doing it. Consequently, there’s nothing Hegelian, Heideggerian, or hermeneutic about his work; no nihilistic or existential angst livens things up. Nor does he proffer any grand theory or unifying design that would explain the past in the categorical manner of Spengler’s organic cycle of regional growth and decay, or Braudel’s emphasis on broad socioeconomic “structures.” For Barzun, these systematic models of cause and effect run counter to the temper of history, which is intuitive, concrete, beholden to time and evidence:



History, like a vast river, propels logs, vegetation, rafts, and debris; it is full of live and dead things, some destined for resurrection; it mingles many waters and holds in solution invisible substances stolen from distant soils. Anything may become part of it; that is why it can be an image of the continuity of mankind. And it is also why some of its freight turns up again in the social sciences: they were constructed out of the contents of history in the same way as houses in medieval Rome were made out of stones taken from the Coliseum. But the special sciences based on sorted facts cannot be mistaken for rivers flowing in time and full of persons and events. They are systems fashioned with concepts, numbers, and abstract relations. For history, the reward of eluding method is to escape abstraction.

Barzun’s approach to history is, in a word, pragmatic. He is temperamentally in tune with William James’s self-assessment: “I am no lover of disorder, but fear to lose truth by the pretension to possess it entirely.” Among the things that drew Barzun to James was James’s conviction that every request made in good faith incurs some moral obligation in the claimant. A few weeks shy of his hundredth birthday, Barzun is still pressed to read manuscripts, give talks, and attend affairs in his honor. He tries to accommodate everyone, but there is simply less of him to go around. He’s five inches shorter than he used to be, a decrease due to aging and spinal stenosis, which causes pain and numbness in the legs. He relies on a cane or a walker to get around, and, as one might expect, he is alert to the irony of aging: when time is short, old age takes up a lot of time. There are doctors’ visits, tests to be suffered, results to wait for, ailments and medications to be studied—all distractions from the work. “Old age is like learning a new profession,” he noted drily. “And not one of your own choosing.”

Before I left San Antonio, Barzun called my attention to what he slyly referred to as his “most notable accomplishment.” It was a book lying on a coffee table in the sunroom and titled “Introduction to Naval History: An Outline with Diagrams and Glossary.” I turned it over in my hands and looked inside: it was, as promised, a point-by-point synopsis of seafaring events, designed for the education of naval officers. It turns out that, during the Second World War, the U.S. Navy commissioned Barzun, an associate professor at the time, to write it. And why not? It was always risky to assume that any topic was beyond Barzun’s ken.

Shirley Hazzard learned this one evening, in the mid-nineteen-seventies, when she and Barzun found themselves standing in a storage room on East Seventy-ninth Street, up to their necks in books. They had been asked by the head librarian of the New York Society Library to help him weed out superfluous and out-of-date volumes. “There we were,” Hazzard told me, raising her arm, “books stacked this high, and I thought, We’re really in for it. We’ll never get through these. Then Jacques reached into a pile, glanced at the title—it didn’t matter which book it was—and said, ‘This one’s been superseded by another; this one is still valid; this one can stay until someone or somebody finishes his new study,’ and in a couple of hours we were done. It was a very impressive performance, because, you know, he wasn’t performing at all. It’s just Jacques.”

Sooner or later, all of Barzun’s acquaintances experience their own “just Jacques” moment. Two years ago, while working on a piece for this magazine, I called Barzun to find out whether Lord Edward Grey, the British Foreign Secretary during the First World War, had said that the lights were going out all over Europe before hostilities had actually begun. Barzun asked if I was referring to him in my article as “Lord Grey.” I said I was, since the attribution was always the same. Barzun cleared his throat. “Well, you know, he wasn’t a lord when he said it. He didn’t become Viscount of Fallodon until 1916.” For the first time in thirty-odd years of conversation, I exclaimed, “Why would you know that?” He replied, mildly, “It’s my business to know such things.”

sábado, novembro 17, 2007

Os coxos também dançam

Folha de s. Paulo, 31/10/2007.

JOÃO PEREIRA COUTINHO

House é uma reencarnação de Sherlock Holmes. O próprio criador da série não nega as influências

EU PRECISO de ajuda. Urgente. Três semanas fechado em casa, o telefone religiosamente desligado. Trabalho por fazer. Louça por lavar. Amigos que batem à porta, aguardam, desesperam e partem. E eu, com barba de profeta e cabelo de Tarzan, comendo Cheetos e fedendo como a Cheetah, de pijama e robe, e visionando todas as temporadas de "House". Terei cura? Pior: terei defesa? Sim, eu sei: não existe publicação, site ou mero blog que não diga o óbvio. House é uma reencarnação de Sherlock Holmes. O próprio criador da série, David Shore, não nega as influências e as evidências. Sherlock investigava crimes? House investiga doenças. Sherlock não precisava de recolhas empíricas, optando antes, na boa tradição idealista, por deduções científicas? House também não precisa: o doente é dispensável, a doença é tudo que interessa. Sherlock era um solitário e um celibatário? House solitário é.

Sherlock tinha pouco amigos -um único, na verdade? House tem Wilson e sua paciência de santo. Sherlock, nas horas de lazer, permitia-se a umas notas de violino? House prefere a guitarra e o piano. E se Sherlock não resistia ao ópio e à cocaína, House prefere os analgésicos para matar as dores da perna, ou da alma.

Mas isso não chega. É preciso mais. Eu preciso de mais. Porque o sucesso de Sherlock Holmes e de House também explica a época em que ambos viveram. E então recordo Londres, a capital do mundo no século 19, quando Jack, o Estripador andava à solta para a perdição das mulheres. Tirando os melhores bairros, como Belgravia ou Mayfair, Londres era um viveiro de crime e delinqüência. O sítio perfeito para o detetive perfeito. E o detetive apareceu: uma criação de Arthur Conan Doyle que depressa ganhou existência independente do criador. Ainda hoje o nº 221 B de Baker Street recebe correspondência para ele: novos casos, novas angústias, pedidos de horários e de honorários. A porta é sede de um banco, que tem departamento para responder às cartas.

Que, apesar de muitas, vão decrescendo com o tempo. Elementar, meu caro Watson: o crime foi recuando na vida cotidiana do homem ocidental. Tirando bolsas de pobreza e violência, na África ou na América Latina, é possível que um europeu ou um norte-americano atravesse a vida sem jamais conhecer um roubo, uma agressão, um homicídio. Exceto pela TV. O grande medo do século 21 para o Ocidente rico não é mais o crime, como na Inglaterra vitoriana. O grande medo é a saúde: vivemos mais, vivemos melhor; mas essa longevidade, aliada ao culto do corpo e da juventude, tornou-nos mais medrosos, atentos, hipocondríacos.

Foi assim que Sherlock Holmes deu lugar a Gregory House. E foi assim que eu, um amante de Sherlock, encontro House e vicio-me novamente. Amigos vários murmuram que a explicação para o fato não é histórica; é bem pessoal. E acrescentam que eu nunca resisti a coxos, na medida em que também sou um. Mentira. Coxo, House? Coxo, eu? Como Sherlock cem anos atrás, House relembra ao mundo que a única elegância que fica é a inteligência humana a dançar sapateado.

Histórias da Marvel online

Da BBC, 14/11/2007.

Marvel coloca parte de acervo para leitura na internet
Cena do filme 'Homem de Ferro', baseado em personagem da Marvel
Cena do filme 'Homem de Ferro', baseado em personagem da Marvel
A Marvel, gigante americana dos quadrinhos, está oferecendo parte de seu acervo para internautas.

A maioria dos 2,5 mil exemplares ficará disponível mediante assinatura mensal ou anual. Mas, para conquistar internautas que não estão acostumados a pagar por conteúdo, 250 exemplares estarão disponíveis de graça.

Os assinantes terão acesso a exemplares raros on-line, como os primeiros números de séries como Homem-Aranha, O Incrível Hulk e Quarteto Fantástico.

Segundo o jornal americano USA Today, os internautas poderão avançar pela história de várias formas, inclusive quadro a quadro. A página da Marvel informa que não é necessário baixar nenhum programa para ver os exemplares e que serão oferecidos também tutoriais, explicando como os quadrinhos poderão ser acessados.

"Nossos fãs já estão na internet. (Disponibilizar os quadrinhos na internet) Parecia o caminho natural a seguir", disse o presidente da Marvel Dan Buckley ao USA Today.

Para Buckley, não existe problema no fato de a maior parte do conteúdo da Marvel estar disponível apenas mediante pagamento enquanto a maioria dos sites de notícias oferece seu conteúdo de graça.

"Você consegue ver as notícias em qualquer lugar. Nós somos os únicos que têm o Homem-Aranha", afirmou.

Seis meses

Para proteger as vendas das revistas, novos exemplares da Marvel só serão colocados online seis meses depois de seu lançamento.

Os clientes também não poderão baixar os exemplares em seus computadores - apenas ver os quadrinhos enquanto navegam na internet.

Histórias em quadrinhos já são disponibilizadas on-line, mas, ao contrário de arquivos de música ou filmes, os fãs não encontraram um formato que facilita o compartilhamento. Mesmo assim, ele ocorre mais rapidamente do que em seis meses, segundo analistas.

"Cerca de 90% dos quadrinhos vendidos atualmente são escaneados e colocados na rede em 36 horas", afirmou ao USA Today o especialista em quadrinhos da Newsarama.com, Chris Arrant.

"Nossa qualidade é bem maior, o acervo é enorme e nunca ficará fora de moda. Esta é a forma legal de fazer as coisas", disse o editor-chefe da Marvel, Joe Quesada.

A grande adversária da Marvel, a DC Comics, já disponibilizou alguns de seus exemplares pelo site de relacionamento MySpace.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Honra entre criminosos

Da BBC

Polícia descobre dez mandamentos da máfia siciliana

Salvatore Lo Piccolo na delegacia central de Palermo
Polícia encontrou regras entre documentos de Salvatore Lo Piccolo
A polícia da Itália descobriu que, a exemplo da Igreja Católica, que tem seus Dez Mandamentos, a máfia siciliana também redigiu uma lista com dez regras que devem ser cumpridas por seus membros.

O decálogo do perfeito mafioso foi encontrado por policiais da cidade de Palermo, na Sicília, em meio à papelada no esconderijo de Salvatore Lo Piccolo – o chefe da organização criminosa Cosa Nostra, preso na última segunda-feira.

De acordo com o código de honra, cujo título é Direitos e Deveres, fica proibido aos membros da organização exagerar no vinho, jogar, mentir, trair a mulher, freqüentar bares, apresentar denúncias e se apropriar de dinheiro que pertence a outra família mafiosa.

As regras buscam preservar a segurança da Cosa Nostra, mas também nortear o comportamento de seus integrantes, impondo fidelidade e obediência, além de sobriedade e moderação.

Mulheres

Com relação às mulheres, o decálogo define com detalhes como os homens devem se comportar.

"As esposas dos nossos amigos não devem nem mesmo serem olhadas", diz. O mesmo vale para as filhas e irmãs dos integrantes.

Segundo o documento, "uma traição sentimental em família é uma tragédia".

O código também afirma que uma mulher basta. Ter duas é muito arriscado. O mandamento mafioso explica que isso pode colocar em perigo o interessado e, em conseqüência, todos os outros.

"Ou a mulher, ou a amante, porque mais cedo ou mais tarde, em um momento de raiva, com rancor, uma delas pode deixar escapar um palavra a mais. Isso pode ser uma ameaça a Cosa Nostra."

O decálogo assinala que um bom mafioso deverá estar sempre disponível à organização, até mesmo se a mulher dele está para dar à luz.

Prisão

Salvatore Lo Piccolo, de 64 anos, foi preso nesta semana depois de 25 anos como fugitivo. Junto com ele estava o filho Sandro, de 32 anos, procurado pela Justiça há seis anos.

Conforme a polícia italiana, ele assumiu a chefia da Cosa Nostra em abril do ano passado, depois da prisão de Bernardo Provenzano, que dirigiu por mais de quatro décadas as atividades do grupo na clandestinidade.

Lo Piccolo era considerado um dos criminosos mais procurados no país, acusado de tráfico de cocaína, homicídio e associação mafiosa.

“Eles não são meros fugitivos, mas chefes mafiosos que exerciam seu poder sobre o território”, disse o procurador de Palermo Francesco Messineo, logo após a prisão.

Pragmatismo

Na avaliação da polícia siciliana, o decálogo é útil ao pragmatismo mafioso.

O décimo mandamento é o melhor articulado e dá indicações precisas sobre aqueles que podem fazer parte da Cosa Nostra.

Ele diz que é proibido o ingresso de quem tem parente nas forças policiais italianas, de quem já traiu sentimentalmente em família e daqueles que têm um comportamento péssimo ou não respeitam os valores morais.

Junto com o código, os policiais apreenderam uma imagem sacra, junto com o juramento de filiação ao grupo. No juramento, o mafioso iniciante promete ser fiel à Cosa Nostra, e diz que, se trair a organização, sua carne “deve queimar”.

Os mandamentos

Os mandamentos foram encontrados pela polícia junto com explicações para cada um deles, separadas em capítulos. As explicações dão detalhes sobre as restrições que cada mandamento representa - como, por exemplo, a proibição do jogo e de se exagerar no vinho.

1 - Não pode se apresentar sozinho a um amigo nosso, senão um terceiro irá fazer isso. (Ou seja - nenhum membro da Cosa Nostra pode ir sozinho a um encontro)

2 - Não se deve olhar para as mulheres dos nossos amigos.

3 - Não deve se meter em confronto com os policiais.

4 - Não se deve frequëntar bares ou clubes.

5 - Deve estar disponível a qualquer momento à Cosa Nostra. Até mesmo se a mulher está por dar à luz.

6 - Os compromissos devem ser respeitados.

7 - Deve-se respeitar a esposa.

8 - Quando for chamado para esclarecer qualquer coisa, deverá dizer a verdade.

9 - Não pode se apropriar de dinheiro que pertence a outros ou a outras famílias.

10 - Não pode fazer parte da Cosa Nostra quem tem um parente nas diversas forças de ordem italianas, quem já traiu sentimentalmente dentro da família (mafiosa) e quem tem um péssimo comportamento e não respeita os valores.

segunda-feira, outubro 29, 2007

"No dia mais claro, na noite mais densa..."


29/10/2007 - 14h04
"Lanterna Verde" será escrito e dirigido por autor de "Everwood"

Por Borys Kit
LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - O criador da série "Everwood", Greg Berlanti, fechou contrato para co-escrever e dirigir uma adaptação sobre o super-herói "Lanterna Verde", da DC Comics.

Embora Lanterna Verde já tenha tido várias encarnações desde que foi criado, em 1940, o filme da Warner Bros vai focar o Lanterna incorporado por Hal Jordan, piloto de testes que encontra uma nave alienígena caída.

Um alien moribundo entrega seu anel a Jordan, introduzindo-o a um novo mundo que inclui uma força policial interestelar conhecida como Corpo dos Lanternas Verdes e seus responsáveis, os Guardiões do Universo, que vivem no planeta Oa.

Como qualquer outro super-herói, Lanterna tem um ponto fraco -- em seu caso, a cor amarela -- e era conhecido por repetir um juramento ao carregar a energia de seu anel.

"Este é para mim o maior filme baseado numa HQ e que ainda não foi feito", disse Berlanti, que cresceu lendo histórias em quadrinhos na década de 1980. "Era uma HQ com uma mitologia real, como se vê em muitas das óperas e dos livros de ficção científica. O melhor dela é que qualquer pessoa pode virar parte dos Lanternas Verdes, porque qualquer pessoa pode tomar posse do anel."

Berlanti se reuniu com a DC Comics há um ano para discutir a idéia de levar o herói ao cinema. Ele chamou os co-roteiristas Marc Guggenheim e Michael Green, também fãs de quadrinhos que conheceu quando estava trabalhando em "Jack & Bobby", série que ele ajudou a criar para a WB Network.

Eles trabalharam durante meses para desenvolver a história, com a ajuda de Gregory Noveck, vice-presidente sênior da DC Comics.

Berlanti propôs à Warner realizar uma série de filmes, sendo que o primeiro mostrará como Jordan vira membro da força policial intergaláctica.

O maior desafio para a criação do filme foi aguardar a chegada da tecnologia necessária para criar mundos fantásticos, além de superar o preconceito contra um herói que porta um anel.

"O perigo, e o que muitas pessoas temem, é que soasse tolo", disse Berlanti. "Nestes tempos pós-'Harry Potter' e 'Senhor dos Anéis', a idéia não é mais fantástica do que essas."

Berlanti já está ocupado cuidando da produção executiva dos seriados da ABC "Dirty Sexy Money", "Brothers & Sisters" e o ainda inédito "Eli Stone", drama jurídico que ele criou com Marc Guggenheim.



sábado, setembro 29, 2007

Arte "sonâmbula"

A falta que um conceito faz...
Fosse no Brasil, provavelmente este sujeito estaria expondo em locais bem diferentes.
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Britânico expõe arte produzida durante o sono
desenho de Lee Hadwin
"Arte noturna" inclui desenhos, retratos e pinturas
Os trabalhos de um britânico que vira artista enquanto dorme vão ser expostos numa cidade do País de Gales, na Grã-Bretanha.

Lee Hadwin, de 33 anos, afirma que tem feito o que denominou de "arte sonâmbula" há muitos anos e não sabe explicar por que seu talento artístico aflora só depois que ele adormece.

Hadwin conta que começou a ser sonâmbulo quando tinha 4 ou 5 anos "fazendo o que crianças normais fazem, como andar pela casa, nada sério".

"Há 12 ou 14 anos atrás eu dormi na casa de um amigo e quando sua mãe acordou viu desenhos na parede da cozinha. Mas ela achou que tivesse sido o filho sob efeito de bebida", relembra.

O artista só se deu conta de que o desenho na verdade era de sua autoria, quando percebeu, pouco tempo depois, que seus jornais começaram a amanhecer desenhados.

Lee Hadwin
Hadwin diz que não se lembra do que faz durante a noite

Enxaqueca

Os trabalhos de Lee, que não faz arte enquanto está acordado, vão desde desenhos, retratos de nus até pinturas.

Hadwin garante que só percebe o que fez durante a noite quando acorda no dia seguinte.

"Eu só sei que estive sonâmbulo durante a noite porque normalmente acordo com enxaqueca. De resto, eu não me lembro de absolutamente nada".

Ele admite que seu estranho hobby noturno já levou a alguns problemas em casa.

desenho de Lee Hadwin
Trabalhos de Lee Hadwin serão expostos

"Minha mãe não gosta quando eu pinto embaixo das escadas".

Quatro meses atrás, o britânico cortou uma de suas calças jeans preferidas e, sem saber, colocou um pedaço de tecido numa moldura.

Os trabalhoS serão expostos numa galeria da cidade de Denbigh, no País de Gales no início do mês que vem.

domingo, setembro 23, 2007

Uma sociedade de insanas aparências

Recebi por email e infelizmente não tenho a data dessa edição da IstoÉ. Mas gostei muitíssimo da entrevista, pois nos lembra do quanto a cultura em que vivemos nos predispõe para a frustração com seus padrões severos de eficácia e sucesso.
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O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

“Cuidado com os burros motivados”

Em “Heróis de Verdade”, o escritor combate a supervalorização da Aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever “Heróis de verdade” (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras”.

ISTOÉ—Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki—Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ—O sr. citaria exemplos?

Shinyashiki—Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido,mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ—Qual o resultado disso?

Shinyashiki—Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ - Por quê?

Shinyashiki—O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ—Há um script estabelecido?

Shinyashiki—Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar”. É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir”. Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ—Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki—Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer Que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ—Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki—Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ—Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki—Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano,imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham”. Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza,já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ—O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki—Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ—Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki—Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros.

Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki—O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ—Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki—A sociedade quer definir o que é certo. São quatro Loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz”. Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.

Balanço da Bienal

Duas tardes de garimpagem, contenção de despesas e muita caminhada. O resultado? Eis o saldo recorde desta Bienal (para lembrar aos incautos que perdição é a combinação de salário com megafeira de livros):

  • Os doze volumes encadernados da Revista Espírita -- Jornal de Estudos Psicológicos, da Sociedade Espírita de Paris, editada por Allan Kardec.
  • Religião, de Carlos Imbassahy (o pai), verdadeiro sobre a bizarra e interminável discussão sobre ser ou não o Espiritismo uma religião.
  • Eça de Queirós, Póstumo, coletânea de psicografias de Fernando Lacerda atribuídas ao literato português (digam o que quiserem sobre a autenticidade ou não dos escritos, a leitura é uma delícia).
  • A Doutrina de Buda e o Tao-te-king (este comentado por Huberto Rohden).
  • Ficções, de Jorge Luís Borges, a ridículos doze reais.
  • Em Silêncio: Por que rezamos, de Donald Spoto, sobre o hábito da prece nas mais diversas tradições religiosas.
  • A História da Família, de James Casey.
  • A Voz do Fogo, o primeiro romance do virtuoso dos quadrinhos Alan Moore, também autor de V de Vingança, Watchmen e, last but not least, o recém-lançado em português Lost Girls.
  • Salambô, de Flaubert, uma incursão do autor de Madame Bovary pelo romance histórico, trocando a charmosa Paris pela exótica Cartago.
  • Homens Representativos, de Ralph Waldo Emerson, com pequenos ensaios biográficos de grandes homens, de Platão a Montaigne e Shakespeare.
  • Contando Vantagem, de John Kenneth Galbraith, em que o célebre e espirituoso economista narra suas experiências com os diferentes governos americanos de Roosevelt a Lyndon Johnson.
Pena o dinheiro ter acabado antes de eu voltar à seção de neurociência da Companhia das Letras... Mas exercitei meu impulso biblioconsumista pelo equivalente a meses. Só falta agora levar minhas aquisições para uma ilha deserta por alguns anos e pôr a leitura em dia.

(Não custa sonhar...)


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sábado, setembro 22, 2007

Meditações de fim de semana


A última encarnação da inocência sobre a Terra deixou de sê-lo ao se descobrir inocente.

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Quando naturalizamos a tal ponto a malícia que ficamos chocados com a inocência?

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Ou estará a malícia tão cansada de si própria que não teve outro recurso senão o de se refugiar na forma da inocência?


sábado, setembro 08, 2007

As leis da física hollywoodiana


Você já reparou que nos filmes de ação, basta um tiro no tanque de gasolina para explodir um carro?

Que as explosões espaciais têm som?

Que ninguém se machuca ao estilhaçar uma vidraça com o próprio corpo?

Finalmente, os especialistas dão seu parecer sobre esse fenômenos tão comuns na tela que nem nos perguntamos se eles são possíveis: http://www.intuitor.com/moviephysics. Um site divertidíssimo, instrutivo e com indicações de algo raro no Brasil: livros de física para leigos e sem aquelas "assustadoras" (?) fórmulas matemáticas.

(Devo a informação ao meu prezado Hermenauta, um dos blogueiros mais versáteis da Internet brasileira.)

sexta-feira, setembro 07, 2007

A Voz: 1935-2007


Ciao, Luciano!