terça-feira, novembro 09, 2010

O oásis de um momento

Agrilhoado a textos de economia para uma aula. Não que o tema seja em si desagradável, mas a forma de exposição, árida e densamente informativa, cansa. O bom foi ter a motivação para revisitar um velho amigo, que me fez lembrar um dos motivos pelo qual dedico a vida a aprender: a capacidade de injetar graça nos assuntos aparentemente mais obscuros. Queria ter conhecido pessoalmente Mr. Galbraith, e me dói pensar que sua biografia repousa impávida e quase intocada na minha biblioteca. Foi um grande intelecto e o pouco contato que tive com seu legado já lhe garantiu minha admiração. Quem mais, em uma entrevista sobre economia, lembraria de citar William Buckley como "grande conservador e humorista"? Ou defender enfaticamente a assessoria prestada por Milton Friedman e os Chicago Boys ao Chile pinochetista com o argumento de que a melhor maneira de acabar com uma ditadura era deixá-la seguir os conselhos do monetarista? E isso em meio a explicações sobre o padrão-ouro e que tais...

Seja como for, dei uma pausa na economia -- e fui à poesia. Ontem, eu a encontrei na melancólica foto de Cedric Martin, no post anterior; hoje, contudo, ela estava nas palavras mesmo. eis o achado de hoje:

O Resto é Silêncio

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho…
.
Já não ouso… já não coras…
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas…
Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos…
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos…


J. G. de Araújo Jorge

2 comentários:

mayara disse...

Mesmo não no melhor estado de humor, achei lindo o poema *_*

Anônimo disse...

Salvo engano, Galbraith era amigo íntimo de Buckley.

Abração, Samurai.

Gabriel Trigueiro