quinta-feira, maio 01, 2008

Médiuns na Superinteressante

O tema me interessa, claro. Admito que achei a matéria um tanto pequena para uma reportagem de capa (aliás, com uma ilustração muito bonita), mas é otimo que veículos como a Super dêem atenção ao assunto. Por mais que contrarie as crenças de muita gente, falar de mediunidade tem muito menos a ver com "fé" do que, simplesmente, com conhecimento. É um fenômeno relativamente comum, existente e utilizado em muito mais que uma religião (ou a despeito dela), e, depois que se investiga os casos a ela relacionados, sejam aqueles da literatura sobre fenomenologia psíquica, sejam os inúmeros relatos de pessoas próximas (e acredito que cada brasileiro tenha acesso a pelo menos um), a conclusão a se tirar é que só o preconceito e a crassa ignorância justificam alegar que ele não existe. É bem verdade que a comunidade científica ainda fica um tanto perdida quando trata dele, mas há cem anos ela também ficava quando se tratava do vôo de objetos mais pesados que o ar ou transmissões de rádio.

Espero ainda viver para ver o tema tratado em larga escala não como curiosidade ou tópico sensacionalista, mas com o respeito que merece. Afinal, ele sugere um nível de potencial humano bem diferente daquele a que estamos acostumados, cujo reconhecimento pode ter também considerável repercussão social.
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Superinteressante
, maio de 2008

Médiuns: O que a ciência tem a dizer sobre a mediunidade?

Os cientistas acreditam que o cérebro explica a mediunidade, mas não saberm dizer como.

De repente, coisas estranhas ocorrem. A pessoa vê vultos inexplicáveis, ouve vozes de gente que não aparece ou faz previsões que, de tão acertadas, não parecem ser apenas coincidência.

Depois dos momentos de susto, chega a hora de deixar de negar o fenômeno e tentar conviver com ele.

Os brasileiros que acreditam ter dons mediúnicos geralmente procuram centros espíritas – há 14 mil deles no país – e acabam conhecendo gente com histórias parecidas. "Mas, quando a mediunidade é exuberante, você não pode evitá-la" , diz Marta Antunes, diretora da Federação Espírita Brasileira.

As imagens de espíritos ou a inspiração para escrever uma carta costumam aparecer do nada, como um déjà vu, na hora em que a pessoa menos espera. É como dizia o médium Chico Xavier: "O telefone toca sempre de lá para cá".

Na tentativa de ligar daqui para lá, muitas religiões do planeta criam rituais e provocam um momento de êxtase: o transe. Para os médiuns, o transe é o ponto alto de sua habilidade, quando conseguem incorporar um espírito.

Já para os psiquiatras, é um estado alterado de consciência, assim como a hipnose, que se atinge após um longo processo de concentração. Rituais com danças frenéticas, mantras, estímulos luminosos, jejum prolongado e até plantas alucinógenas fariam o participante sair de si.

Uma boa forma de desvendar a mediunidade é entender como rituais levam ao transe e como o transe resulta nos relatos de contato com os espíritos. Por isso, os cientistas tentam estudar o que acontece no cérebro durante esse momento único.

A busca tem duas frentes. Numa delas há espíritas que tentam explicar e comprovar cientificamente a mediunidade. É o caso do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da USP e membro da Associação Médico-Espírita de São Paulo.

Segundo ele, a glândula pineal é a responsável pela interatividade com o mundo dos espíritos. Do tamanho de uma ervilha, a pineal fica no centro do cérebro e produz a melatonina, hormônio que regula o sono. "É um órgão sensorial capaz de converter ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos", diz. Oliveira acredita que as pessoas que dizem sofrer possessões têm na pineal uma quantidade maior de cristais de apatita, um mineral parecido com o esmalte dentário. Quanto mais cristais, maior seria a sensibilidade espiritual.

Na outra frente estão neuropsicólogos que usam exames de ressonância magnética e tomografias para tentar entender que mecanismos o cérebro aciona durante os rituais religiosos.

O neurocientista Mario Beauregard, da Universidade de Montreal, no Canadá, estudou o cérebro de 15 freiras carmelitas enquanto elas rezavam. Achou uma dezena de pontos ativados, especialmente nas áreas relacionadas à emoção, orientação corporal e consciência de si próprio.

Já o radiologista Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, mapeou a ativação cerebral de monges budistas. Analisando tomografias dos religiosos durante a meditação, Newberg notou que a área relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que pode justificar a sensação relatada de desligamento do corpo.

Ele também estudou freiras franciscanas durante longas preces. Descobriu que o fluxo sanguíneo do lóbulo parietal esquerdo, parte responsável pela orientação, caía bruscamente. Para Newberg, as irmãs franciscanas experimentavam a sensação de união com Deus porque o cérebro delas deixava de fazer a separação do próprio corpo com o mundo.

Mas nenhuma das duas frentes de pesquisa tem explicações definitivas para os efeitos do transe. Por isso, as origens fisiológicas da mediunidade seguem sendo um mistério. "A grande pergunta é: há uma base única para todos os transes? O que a neuropsicologia tem indicado é que não", afirma Paulo Dalgalarrondo.


E leia mais na edição impressa:
É possível curar doenças graves em cirugias espeirituais que duram menor de um minuto?

Como os médiuns conseguem dar detalhes do morto nas mensagens que psicografam?

Como os detetives mediúnicos trabalham para ajudar – e às vezes atrapalhar – as investigações policiais?



Um comentário:

Palasatena disse...

Sempre fico impressionada com tuas leituras da Super... a escassez de informação deixa-me triste... faz tempo que não viro as páginas da mesma... idos de 92 era diverso... Mente e cérebro continua saindo na frente na elaboração dos textos...