segunda-feira, dezembro 31, 2007

Amor e necessidade: o amor é um pacote ou uma mensagem?

"Nossa filosofia de vida não é algo que criamos por nós mesmos do nada. Nossas maneiras de pensar, até nossas atitudes em relação a nós mesmos, são cada vez mais determinadas de fora. Até mesmo nosso amor tende a se encaixar em formas pré-fabricadas. Consciente ou inconscientemente, talhamos nossas noções de amor de acordo com os modelos aos quais estamos expostos dia após dia na propaganda, nos filmes, na TV e em nossas leituras. Uma dessas atitudes pré-fabricadas e predominantes em relação à vida e ao amor precisa ser discutida aqui. É uma atitude raras vezes declarada conscientemente (...). Essa idéia de amor é um corolário do pensamento que mantém nossa sociedade mercadológica unida. É o que poderíamos chamar de conceito de amor como pacote.

O amor é considerado uma transação. A transação pressupõe que todos nós tenhamos necessidades que devem ser satisfeitas por meio de trocas. Para fazer tal transação, você tem de aparecer no mercado com um produto de valor ou, se o produto não tem valor, você pode dar um jeito embrulhando-o num pacote bonito. Inconscientemente pensamos em nós mesmos como objetos para venda no mercado. Desejamos ser desejados. Queremos atrair fregueses. Queremos ter a aparência do tipo de produto que dá dinheiro. Por isso, gastamos boa parte do nosso tempo modelando-nos segundo as imagens que nos são apresentadas por uma próspera sociedade mercadológica.

Ao fazer isso, passamos a considerar a nós mesmos e aos outros não como pessoas mas como produtos -- como "mercadorias" ou, em outras palavras, comp pacotes. Aquilatamos uns aos outros comercialmente. Avaliamos uns aos outros de alto a baixo e fazemos transações visando o nosso próprio lucro. Não nos entregamos no amor, fazemos uma transação que valoriza nosso produto e, portanto, nossa transação não é definitiva. Já estamos voltados para a nossa próxima transação -- e a próxima transação não precisa ser necessariamente com o mesmo freguês. A vida é mais interessante quando você faz uma porção de transações com uma porção de novos fregueses.

Essa visão, que iguala a arte de amar à arte de vender, e o amor a um pacote atraente, baseia-se na idéia do amor como um mecanismo de necessidades instintivas. Somos máquinas biológicas dotadas de certos impulsos que exigem serem satisfeitos. Se formos espertos, podemos explorar e manipular esses impulsos em nós mesmos e nos outros. Podemos tirar deles algumas vantagens. Podemos ganhar com eles, usando-os para satisfazer e enriquecer o nosso próprio ego mediante lucrativas transações com outros egos. Se o parceiro não for suficientemente esperto, uma trapaçazinha não fará mal agum, especialmente se tornar tudo mais lucrativo e satisfatório para mim!

Se esse processo de fazer transações e satisfazer necessidades começa a se acelerar, a vida torna-se um excitante jogo de apostas. Encontramos muitos outros com as mesmas necessidades. Somos todos jogados atabalhoadamente numa roleta, com a esperança de parar num número propício. Isso acontece repetidas vezes. "Cair no amor" [To fall in love] é um golpe de sorte divertido que ocorre quando você acaba encontrando uma outra pessoa cujas necessidades se ajustam mais ou menos às suas. De alguma forma vocês estão aptos a satisfazer um ao outro, a se completarem mutuamente. Você ganhou na loteria. O prêmio, é claro, vale só por alguns anos. Você tem de voltar ao jogo. Mas ocasionalmente você ganha. Outros não têm tanta sorte. Nunca encontram ninguém com o tipo certo de necessidade que combina com a deles. Nunca encontram ninguém com a combinação certa de qualidades, segredos e frsquezas. Parece que nunca compram o pacote certo. Nunca param no número certo....

Esse conceito de amor pressupõe que o mecanismo de compra e venda de necessidades e satisfações é o que faz tudo funcionar. Considera a vida como um mercado, e o amor como uma variante da livre empresa. Você compra e vende, e ter sucesso no amor é fazer uma boa transação com qualquer um que estiver disponível. (...) A relação de amor é uma transação à qual se chega para a satisfação de necessidades mútuas. Se for um sucesso, rende, não necessariamente dinheiro, mas gratificação, paz de espírito, realização. Todavia, visto que para nós a idéia de felicidade é inseparável da idéia de prosperidade, devemos encarar o fato de que um amor que não for coroado de todos os benefícios materiais e sociais nos parece um tanto quanto suspeito. É realmente abençoado? Foi realmente uma transação?

O problema dessa idéia comercializada de amor é que ela desvia, cada vez mais, a atenção do essencial para os acessórios do amor. Você não é mais capaz de amar realmente a outra pessoa, porque se torna obcecado pela eficácia de seu próprio pacote, do seu próprio produto, do seu próprio valor de mercado.

Ao mesmo tempo, a própria transação adquire uma importância exagerada. Para muitas pessoas o que importa é o momento delicioso e fugidio em que a transação é fechada. Elas nem pensam no que a própria transação representa. Talvez seja por isso que tantos casamentos não duram e porque tantas pessoas tenham de se casar de novo. Não se sentem reais se fazem apenas um contrato e deixam tudo como está!

No passado, numa sociedade em que as pessoas viviam no campo, onde a posse da terra representava a permanência e a segurança da família, não havia problemas com o casamento para a vida toda: ele era perfeitamente natural e aceito sem nem mesmo uma resistência inconsciente. Hoje, a segurança e a identidade das pessoas têm de ser constantemente reafirmadas: nada é permanente, tudo está em movimento. Você tem de se mover junto. Tem de aparecer com algo novo a cada dia. Toda manhã tem que provar que ainda está aí. Tem que continuar fazendo transações.

Cada transação deve ter o frescor, a singularidade, a inocência paradisíaca de fechar um negócio com um freguês totalmente novo. Quer gostemos, quer não, somos dominados por uma "ética", ou talvez melhor, uma "superstição" de quantidade. Não acreditemos em um único valor duradouro estabelecido de uma vez por todas -- uma qualidade essencial e permanente que nunca se torna obsoleta ou se deteriora. Somos obcecados por aquilo que é repetível. A realidade não se entrega de uma só vez; tem de ser agarrada em pedacinhos, sempre de novo, num bruxuleio dinâmico como cenas sucessivas de um filme. Esta é a nossa atitude.

(...)

Todos que consideram o amor uma transação com base nas "necessidades" correm o risco de cair numa ética puramente quantitativa. Se o amor é uma transação, então quem dirá que você não deveria fazer tantas transações quanto possível?

A partir do momento em que se aborda o amor em termos de "necessidade" e "satisfação", ele tem de ser uma transação. E o que é pior, como nossos sentidos e nossa imaginação estão constantemente sujeitos ao bombardeio de sugestões de satisfações ideais impossíveis, não podemos evitar a reavaliação da transação que fizemos. Não podemos evitar desfazê-la, para fazer uma transação "melhor", com outra pessoa que nos satisfaça mais.

A situação, então, é a seguinte: apaixonamo-nos com uma sensação de uma imensa necessidade, com uma exigência ingênua de satisfação perfeita. Afinal de contas, é isso que diariamente e a toda hora nos dizem que devemos esperar. O efeito do excesso de estímulos pela publicidade e por outras mídias nos mantém no mais alto grau possível de insatisfação com o desempenho de segunda classe que estamos tendo e com a transação que fizemos. Nossas necessidades são exacerbadas. Os desejos sexuais de muitas pessoas mantém-se em estado de grande excitação, não por uma paixão autêntica, mas por sua necessidade de provar a elas mesmas que são amantes atraentes e bem-sucedidos. Elas buscam segurança na certeza repetida de que são ainda comerciáveis, que ainda são um produto que vale a pena. A palavra técnica para isso é narcisismo. Ele tem efeitos desastrosos, pois leva as pessoas a se manipularem umas às outras por motivos egoístas."

Thomas Merton

4 comentários:

seguindoestrelas disse...

Gostei do texto, apesar do pensamento do autor "não fazer o meu tipo" rs. De tantas formas podemos interpretar o amor... O que é o amor? O que eu posso fazer com ele além de senti-lo, e vive-lo? Perguntas demais... respostas sempre diferentes.

"o amor pode ser uma música que eu gostei e botei numa fita..."

Beijos,
G.

ELAINE disse...

NÃO ACHO QUE O AUTOR TENHA DEFINIDO O AMOR. ACHO QUE ELE DEFINIU O QUE EU COSTUMO CHAMAR DE "PRÓTESES EMOCIONAIS", TIPO MULETAS. AS PESSOAS ANDAM ACOMETIDAS DE UMA CERTA FORMA DE PÂNICO.CHAMO ESSE PÂNICO DE SÍNDROME DO PÂNICO DA SOLIDÃO. E FAZENDO UM LINK COM O TEXTO ANTERIOR, ESSE TIPO DE "AMOR" É UMA CONCEPÇÃO PRÉ-ESTABELECIDA, QUE PARECE ESTAR MAIS ENRAIZADA NAS MULHERES QUE NOS HOMENS DE NOSSA SOCIEDADE.
AINDA CHAMAMOS AS SOLTEIRAS QUE PASSAM DOS QUARENTA DE SOLTEIRONAS.
O QUE O AUTOR DESCREVE É UM TIPO DE COMPULÇÃO QUE NADA TEM COM O AMOR.
NÃO SEI DEFINIR O VERDADEIRO AMOR, MAS PARA MIM NÃO É ISSO QUE ESTA NO TEXTO EXPOSTO.
NÃO SEI DEFINIR O AMOR, MAS ACHO QUE ELE DEVE NOS ENCHER DE BOM HUMOR E NÃO DE ANSIEDADE; O AMOR,ACHO EU,DEVE NOS FAZER RIR DE NÓS MESMOS;NÃO DEVE PROVOCAR DISPUTAS DO TIPO QUEM É MAIS ATRAENTE ETC.
QUANDO NÃO SE SABE O QUE É O AMOR, ESTAR ATENTO E PROCURAR SABER O QUE É MESQUINHARIA, EGOISMO E NARCISISMO, JÁ NOS PROTEGE DE COMETER GRANDES EQUÍVOCOS.
E, ACHO QUE SURTEI!!

ELAINE disse...

NÃO ACHO QUE O AUTOR TENHA DEFINIDO O AMOR. ACHO QUE ELE DEFINIU O QUE EU COSTUMO CHAMAR DE "PRÓTESES EMOCIONAIS", TIPO MULETAS. AS PESSOAS ANDAM ACOMETIDAS DE UMA CERTA FORMA DE PÂNICO.CHAMO ESSE PÂNICO DE SÍNDROME DO PÂNICO DA SOLIDÃO. E FAZENDO UM LINK COM O TEXTO ANTERIOR, ESSE TIPO DE "AMOR" É UMA CONCEPÇÃO PRÉ-ESTABELECIDA, QUE PARECE ESTAR MAIS ENRAIZADA NAS MULHERES QUE NOS HOMENS DE NOSSA SOCIEDADE.
AINDA CHAMAMOS AS SOLTEIRAS QUE PASSAM DOS QUARENTA DE SOLTEIRONAS.
O QUE O AUTOR DESCREVE É UM TIPO DE COMPULÇÃO QUE NADA TEM COM O AMOR.
NÃO SEI DEFINIR O VERDADEIRO AMOR, MAS PARA MIM NÃO É ISSO QUE ESTA NO TEXTO EXPOSTO.
NÃO SEI DEFINIR O AMOR, MAS ACHO QUE ELE DEVE NOS ENCHER DE BOM HUMOR E NÃO DE ANSIEDADE; O AMOR,ACHO EU,DEVE NOS FAZER RIR DE NÓS MESMOS;NÃO DEVE PROVOCAR DISPUTAS DO TIPO QUEM É MAIS ATRAENTE ETC.
QUANDO NÃO SE SABE O QUE É O AMOR, ESTAR ATENTO E PROCURAR SABER O QUE É MESQUINHARIA, EGOISMO E NARCISISMO, JÁ NOS PROTEGE DE COMETER GRANDES EQUÍVOCOS.
E, ACHO QUE SURTEI!!

ELAINE disse...

NÃO ACHO QUE O AUTOR TENHA DEFINIDO O AMOR. ACHO QUE ELE DEFINIU O QUE EU COSTUMO CHAMAR DE "PRÓTESES EMOCIONAIS", TIPO MULETAS. AS PESSOAS ANDAM ACOMETIDAS DE UMA CERTA FORMA DE PÂNICO.CHAMO ESSE PÂNICO DE SÍNDROME DO PÂNICO DA SOLIDÃO. E FAZENDO UM LINK COM O TEXTO ANTERIOR, ESSE TIPO DE "AMOR" É UMA CONCEPÇÃO PRÉ-ESTABELECIDA, QUE PARECE ESTAR MAIS ENRAIZADA NAS MULHERES QUE NOS HOMENS DE NOSSA SOCIEDADE.
AINDA CHAMAMOS AS SOLTEIRAS QUE PASSAM DOS QUARENTA DE SOLTEIRONAS.
O QUE O AUTOR DESCREVE É UM TIPO DE COMPULÇÃO QUE NADA TEM COM O AMOR.
NÃO SEI DEFINIR O VERDADEIRO AMOR, MAS PARA MIM NÃO É ISSO QUE ESTA NO TEXTO EXPOSTO.
NÃO SEI DEFINIR O AMOR, MAS ACHO QUE ELE DEVE NOS ENCHER DE BOM HUMOR E NÃO DE ANSIEDADE; O AMOR,ACHO EU,DEVE NOS FAZER RIR DE NÓS MESMOS;NÃO DEVE PROVOCAR DISPUTAS DO TIPO QUEM É MAIS ATRAENTE ETC.
QUANDO NÃO SE SABE O QUE É O AMOR, ESTAR ATENTO E PROCURAR SABER O QUE É MESQUINHARIA, EGOISMO E NARCISISMO, JÁ NOS PROTEGE DE COMETER GRANDES EQUÍVOCOS.
E, ACHO QUE SURTEI!!