domingo, novembro 14, 2010
sábado, novembro 13, 2010
A toda a gente solitária
sexta-feira, novembro 12, 2010
Quem és tu

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?
A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.
A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Via: Obscured by Clouds)
O mito do pânico de massa

quinta-feira, novembro 11, 2010
Sensibilidade x sentimentalismo
"Deixe-me contar uma história. Buda estava numa cidade. Uma mulher chegou a ele, suplicando e chorando e berrando. Seu filho, seu único filho tinha morrido de repente. Como Buda estava na cidade, as pessoas disseram: "Não se lamente. Vá até esse homem. As pessoas dizem que ele é de infinita compaixão. Se ele quiser, seu filho pode reviver. Então, não chore, vá até Buda.". A mulher foi até ele com o filho morto nos braços, em prantos, se lamentando, e toda a cidade a seguiu - toda a cidade tinha sido afetada. Os discípulos de Buda também foram afetados; eles começaram a orar mentalmente para que Buda tivesse compaixão. Ele deve abençoar a criança, de modo que ela reviva, ressuscite.
Muitos discípulos de Buda começaram a chorar. A cena era muito tocante, profundamente mobilizadora. Todos estavam imóveis. Buda permaneceu silencioso. Ele olhou para a criança morta, depois, olhou para a mãe em prantos e disse à mulher: "Não se lamente; faça uma coisa e seu filho viverá novamente. Deixe esta criança morta aqui, volte à cidade, vá de casa em casa e pergunte a cada família se alguém já morreu na família, em sua casa. E, se você encontrar uma casa onde ninguém jamais tenha morrido, então, peça-lhes algo de comer... um pão, um arroz ou qualquer coisa - mas da casa onde ninguém tenha morrido. E esse pão, ou esse arroz, reviverá a criança imediatamente. Vá! Não perca tempo!".
A mulher ficou feliz. Ela sentiu que agora sim, o milagre ia mesmo acontecer. Ela tocou os pés de Buda e correu até a cidade, que não era uma cidade muito grande, poucas cabanas, poucas famílias. Ela foi de família em família, fazendo a pergunta. Mas toda família dizia: "Isso é impossível. Não há uma única casa - não só nesta vila, mas em toda a terra - não há uma única casa onde jamais ninguém tenha morrido, onde as pessoas nunca tenham sofrido a morte e o infortúnio e a dor e a angústia que vêm disso.".
Em pouco tempo, a mulher percebeu que Buda tinha lhe aplicado um truque. Aquilo era impossível. Mas, ainda assim, a esperança estava lá. Ela foi perguntando até rodar toda a cidade. Suas lágrimas secaram, sua esperança morreu, mas de repente ela sentiu uma nova tranqüilidade, uma serenidade chegando até ela. Agora ela percebera que seja o que for que nasça, terá de morrer. Uns morrerão mais cedo, outros mais tarde, mas a morte é inevitável. Ela voltou e tocou os pés de Buda novamente e disse a ele: "Como dizem as pessoas, você realmente tem uma profunda compaixão pelas pessoas.". Ninguém podia compreender o que tinha acontecido. Buda iniciou-a no sânias, ela tornou-se uma bhikkhuni, uma saniássin. Ela foi iniciada.
Anand disse a Buda: "Você poderia ter feito o garoto reviver. Era uma criança tão linda e a mãe estava tão angustiada...". Buda, então, disse: "Mesmo que o filho ressuscitasse, ele teria de morrer. A morte é inevitável.". Anand replicou: "Mas você não parece ser muito sensível com as pessoas, com seu sofrimento e angústia.". Buda Respondeu: "Eu sou sensível; você é sentimental. Só porque você começa a lamentar, você pensa que você é sensível? Você é infantil. Você não compreende a vida. Você não percebe o fenômeno.".
Esta é a diferença entre o cristianismo e o budismo. Cristo é mostrado como tendo feito muitos milagres de reviver pessoas. Quando Lázaro estava morto, Jesus toucou nele e ele voltou à vida. Nós no Oriente não podemos conceber Buda tocando um cadáver e trazendo-o de volta à vida. Para gente comum, para a mente comum, Jesus pareceria mais amoroso e compassivo do que Buda. Mas eu lhes digo que Buda é mais sensível, mas compassivo, porque mesmo que Lázaro tenha revivido, não fez nenhuma diferença. Ele ainda teria de morrer. Finalmente, Lázaro teria de morrer. Então, esse milagre foi inútil, de nenhum valor supremo. Não se pode conceber Buda fazendo tal coisa.
Jesus teve de fazer aquilo, porque ele estava trazendo algo novo, uma nova mensagem para Israel. E a mensagem era tão profunda que as pessoas não a compreenderiam, então, ele tinha de criar milagres ao redor da mensagem - porque as pessoas podem compreender milagres, mas não podem compreender a mensagem profunda, a mensagem esotérica. Elas podem compreender milagres, então, através de milagres, elas talvez se tornassem abertas e capazes de receber a mensagem. Jesus estava carregando a mensagem budista para uma terra que não era budista; uma mensagem oriental para um país que não tinha tradição de iluminação, de muitos budas.
Nós podemos conceber que Buda era mais sensível do que seus discípulos que estavam lamentando e chorando. Eles eram sentimentais.
Não confunda sua sentimentalidade com sensibilidade. A sentimentalidade é comum; a sensibilidade é extraordinária. Ela acontece através do esforço. Ela é uma aquisição. Você a tem de ganhá-la. A sentimentalidade não é algo a ser adquirido: você nasce com ela. Ela é uma herança animal que você já tem nas células do seu corpo e de sua mente. A sensibilidade é uma possibilidade. Você ainda não a tem. Você pode criá-la, você pode trabalhar para isso - então, ela lhe acontecerá. E sempre que acontecer, você estará desapegado."
O visitante inevitável
A vida de quem fica
Uma mulher vai até Buda com o filho morto nos braços e suplica que o faça reviver. Buda diz a ela que vá a uma casa e consiga alguns grãos de mostarda. Mas, para trazer de volta a vida do menino, esses grãos devem ser de uma casa onde nunca morreu ninguém. A mãe vai de casa em casa, mas não encontra nenhuma livre da perda.
A parábola budista explora a lição mais óbvia e mais difícil da vida. A dificuldade de encarar o fim como parte da existência é o que faz do luto uma experiên-cia tão assustadora. "A morte é sempre vista como um acidente de percurso ou um castigo divino", diz a psicóloga Clarice Pierre, especializada no atendimento de doentes terminais. Desde a infância o ser humano não é treinado para perder, mas para ter, acumular. "Os pais protegem os filhos das frustrações, e perder é essencial para entender que nada é permanente. E me refiro a perder desde jogos, até objetos e pessoas", diz Clarice.
(Clique no link para ler a matéria completa.)
terça-feira, novembro 09, 2010
O oásis de um momento
segunda-feira, novembro 08, 2010
domingo, novembro 07, 2010
Prevenir é melhor que remediar...
"Vamos esperar os cadáveres para agir contra o celular?", questiona pesquisadora
DÉBORA MISMETTI
EDITORA ASSISTENTE DE SAÚDE
A epidemiologista Devra Davis lidera uma cruzada para fazer as pessoas deixarem o celular longe de suas cabeças. Convencida de que a radiação emitida pelo aparelho lesa a saúde, ela escreveu "Disconnect" (sem edição no Brasil), cuja base são pesquisas que começam a mostrar os efeitos dessa radiação no organismo. Nesta entrevista, ela também perguntou: "Vamos esperar as mortes começarem antes de mudar a relação com o celular?".
Pesquisa liga proximidade de antena a maior risco de câncer
Aparelho celular é só uma das fontes de ondas nocivas, lembra médico
Acompanhe a Folha no Twitter
Conheça a página da Folha no Facebook
*
| Divulgação |
![]() |
| A epidemiologista Devra Davis, 64 |
Folha - Quais os riscos para a saúde de quem usa celular?
Devra Davis - Se você segurá-lo perto da cabeça ou do corpo, há muitos riscos de danos. Todos os celulares têm alertas sobre isso. As fabricantes sabem que não é seguro. Os limites [de radiação] definidos pelo FCC [que controla as comunicações nos EUA] são excedidos se você deixa o celular no bolso.
Quais os riscos, exatamente?
O risco de câncer é muito real, e as provas disso vão se avolumar se as pessoas não mudarem a maneira como usam os telefones. Trabalhei nas pesquisas sobre fumo passivo e amianto. Fiquei horrorizada ao perceber que só tomamos atitude depois de provas incontestáveis de que danificavam a saúde.
Reconheço que não temos provas conclusivas nesse momento. Escrevi o livro na esperança de que meu status como cientista tenha peso, e as pessoas entendam que há ameaça grave à saúde e podemos fazer algo a respeito.
Mas há estudo em humanos que dê provas categóricas?
Quando você diz "provas", você quer dizer cadáveres? Você acha que só devemos agir quando já tivermos prova? Terei que discordar. Hoje temos uma epidemia mundial de doenças ligadas ao fumo. O Brasil também tem uma epidemia de doenças relacionadas ao amianto. Só recentemente vocês agiram para controlar o amianto no Brasil, apesar de ele ainda ser usado. Ninguém vai dizer que nós esperamos o tempo certo para agir contra o tabaco ou o amianto. Estou colocando minha reputação científica em risco, dizendo: temos evidências fortes em pesquisas feitas em laboratório mostrando que essa radiação danifica células vivas.
Qual a maior evidência disso?
A radiação enfraquece o esperma. Sabemos por pesquisas com humanos. As amostras de esperma foram dividas ao meio. Uma metade foi mantida sozinha, morrendo naturalmente. A outra foi exposta a radiação de celulares e morreu três vezes mais rápido. Homens que usam celulares por quatro horas ao dia têm a metade da contagem de esperma em relação aos demais.
Crianças correm mais perigo?
O crânio das crianças é mais fino, seus cérebros estão se desenvolvendo. A radiação do celular penetra duas vezes mais. E a medula óssea de uma criança absorve dez vezes mais radiação das micro-ondas do celular. É uma bomba-relógio. A França tornou ilegal vender celular voltado às crianças. Nos EUA, temos comerciais encorajando celular para crianças. É terrível. Fico horrorizada com a tendência de as pessoas darem celulares para bebês e crianças brincarem. Sabemos que pode haver um vício no estímulo causado pela radiação de micro-ondas. Ela estimula receptores de opioides no cérebro.
Jovens usam muitos gadgets que emitem radiação.
Sim, e eles não estão a par dos alertas que vêm com esses aparelhos. Não é para manter um notebook ligado perto do corpo. As empresas colocam os avisos em letras miúdas para reduzir sua responsabilidade quando as pessoas ficarem doentes.
É possível comparar a radiação de celular à fumaça?
Sim. O tabaco é um risco maior. Mas nunca tivemos 100% da população fumando. Agora, temos 100% das pessoas usando celular. Então, ainda que o risco relativo não seja tão grande, o impacto pode ser devastador.
Nos maços de cigarro, há aquelas fotos horríveis. Esse é o caminho para o celular?
Isso é o que foi proposto no Estado do Maine (EUA). Está se formando um grande movimento para alertar as pessoas a respeito dos celulares. Isso é o que aconteceu com o fumo passivo. Vamos começar a ver limites para a maneira e os locais onde as pessoas usam celular. A maioria não sabe que, se você está tentado conversar num celular em um elevador, a radiação está rebatendo nas paredes e fica mais intensa em você e em quem estiver perto.
Além de usar fones, o que é possível fazer para prevenir?
Enviar mensagens de texto é mais seguro do que falar. Ficar com o celular nas mãos, longe do corpo, é bom, e mantê-lo desligado também.
Mas celular é um vício!
Sim. Temos que usá-lo de forma mais inteligente.
-
| Arte | ||
![]() | ||
RAIO-X
FORMAÇÃO
Doutora em estudos científicos pela Universidade de Chicago e mestre em saúde pública pela Johns Hopkins
ATIVISMO
É fundadora da ONG Environmental Health Trust, que faz campanhas sobre riscos do tabaco, amianto e dos celulares para a saúde
LIVROS
"When Smoke Ran Like Water" (2002), sobre poluição, "The Secret History of the War on Cancer" (2007), sobre as causas ambientais do câncer, e "Disconnect" (2010)
sexta-feira, novembro 05, 2010
Do not stand at my grave and weep
terça-feira, novembro 02, 2010
Estudo diz por que orientais são "iguais"
São Paulo, terça-feira, 02 de novembro de 2010 ![]() |
![]() |
Ocidentais têm essa impressão porque o cérebro humano "dá bug" ao tentar reconhecer faces de outra etnia
Não, os japoneses não são todos iguais. O que acontece, mostraram agora os cientistas, é que o "software" de reconhecimento facial do cérebro tem as suas limitações, e uma delas é patinar sempre que se depara com um rosto de uma etnia diferente. |
domingo, outubro 31, 2010
Após a eleição
sexta-feira, outubro 29, 2010
Amor de plenitude
quinta-feira, outubro 28, 2010
O remorso de Orestes
_-_The_Remorse_of_Orestes_(1862)+c%C3%B3pia.jpg)
sábado, outubro 23, 2010
Credo





