Game of Thrones as History
Tyrion Lannister (Peter Dinklage) in the HBO Series Game of Thrones (Courtesy HBO).
Quase duas da tarde, dia quente. Saio do campus da UFRJ onde lecionei nos últimos dois anos, e onde tinha passado somente pela banalidade de escovar os dentes após almoçar ali perto. Na saída, vejo no alto da escadaria um rosto levemente familiar, mas passo direto. Já quase no portão, ouço uma voz atrás de mim:
"Professor! Professor!"
Eu me viro. Era a dona do rosto levemente familiar. Entendi na hora que devia ter sido minha aluna, mas não lembrava de quando.
"Você não deve lembrar de mim."
"O rosto é familiar, mas me desculpe, não lembro."
"Eu sou a aluna que disse na sua aula que era comunista."
Lembrei na hora. Segundo semestre de 2011, "Os EUA no século XX", minha última eletiva e playground intelectual. Quase quarenta alunos, uns já meus veteranos de outras disciplinas, a maioria novos para mim. Na primeira ou na segunda aula, lembro de uma garota ter se declarado comunista, o que me chamou a atenção, mas sem maiores elaborações. No resto do curso, era daqueles alunos que mantêm um perfil mais discreto, que tendem a se mesclar no mar de rostos da turma. Ao revê-la, não posso dizer que realmente "lembrei" ter sido ela. (Tem algo de triste em lembrar do fato sem lembrar da pessoa...)
"O senhor vai dar aula de novo?"
"Não, infelizmente meu período aqui acabou. Não volto a dar aula tão cedo aqui. Mas você precisa de ajuda em alguma coisa? Você quer orientação?"
"Não, eu queria aula."
Quando se é professor, é o tipo de coisa boa (e não tão frequente) de ouvir.
“É, você mudou a maneira como eu via os EUA. Até pensei em pesquisar o assunto, mas, mesmo depois de decidir que não, queria conhecer mais.”
“Que bom, é sinal de que o curso cumpriu sua função. A ideia é essa mesmo. Muita gente tem um ranço contra eles. É compreensível, eu mesmo teria, se fosse iraquiano, por exemplo...”
“Então eu queria agradecer.”
Olhei para ela. Já recebi agradecimentos de alunos, geralmente no último dia de aula, quando as despedidas são costumeiras. Mas deve ter sido a primeira vez que um me agradece já no ano seguinte. E ela parecia genuinamente contente ao falar sobre a mudança de perspectiva sobre esse país que tanto nos influencia e é tão vilipendiado.
Não lembro bem o que respondi, só que falei de um outro professor, meu amigo e agora quadro permanente da faculdade, também americanista, que também provavelmente oferecerá disciplinas na área. E agradeci também, pois o que ela me disse servia de estímulo. Professores também gostam de ouvir essas coisas, elas nos propelem a continuar, a dar nosso melhor.
Despedimo-nos e cada um foi para um lado. Mas fui embora agradecido. Se ela tivesse dito simplesmente que as aulas foram boas, confesso, eu não teria ficado muito comovido. Feedback positivo é ótimo, claro, mas pode-se dizer que uma aula é boa sem que tenha representado nada de muito significativo. “Boa” pode ser simplesmente “correta”, o mínimo que toda aula deve ser. Mas mudar a visão de alguém, isso é diferente. É dizer que, pelo menos para uma pessoa, você fez a diferença — que todos aqueles textos, slides e horas de pesquisa, estudo e planejamento valeram a pena. É, enfim, o Santo Graal do educador.

Revista Espírita, fevereiro de 1865:
Discurso de Victor Hugo junto ao
Túmulo de uma Jovem
“Em algumas semanas ocupamo-nos de duas irmãs: casamos uma e sepultamos a outra. Eis o perpétuo tremor da vida. Inclinemo-nos, meus irmãos, ante o severo destino.
“Inclinemo-nos com esperança. Nossos olhos não foram feitos para chorar, mas para ver; nosso coração não foi feito para sofrer, mas para crer. A fé numa outra existência nasce da faculdade de amar. Não o esqueçamos: nesta vida inquieta e apaziguada pelo amor, é o coração quem crê. O filho conta encontrar a seu pai; a mãe não consente em perder para sempre o filho. Esta recusa do nada é a grandeza do homem.
“O coração não pode errar. A carne é um sonho; ela se dissipa. Se esse desaparecimento fosse o fim do homem, tiraria à nossa existência toda sanção. Não nos contentamos com esta fumaça que é a matéria; precisamos de uma certeza. Quem quer que ame, sabe e sente que nenhum dos pontos de apoio do homem está na Terra. Amar é viver além da vida. Sem esta fé, nenhum dom perfeito do coração seria possível; amar, que é o objetivo do homem, seria o seu suplício. O paraíso seria o inferno. Não! digamos bem alto, a criatura amante exige a criatura imortal. O coração necessita da alma.
“Há um coração neste féretro, e esse coração está vivo. Neste momento ele escuta minhas palavras.
“Emily de Putron era o doce orgulho de uma família respeitável e patriarcal. Seus amigos e parentes tinham por deleite sua graça e por festa seu sorriso. Ela era como uma flor de alegria a desabrochar na casa. Desde o berço era cercada de todas as ternuras; cresceu feliz e, recebendo felicidade, dava felicidade; amada, amava. Ela acaba de partir.
“Para onde foi? Para a sombra? Não.
“Nós é que estamos na sombra. Ela está na aurora.
“Ela está na glória, na verdade, na realidade, na recompensa. Essas jovens mortas, que não fizeram nenhum mal na vida, são bem-vindas do túmulo, e sua cabeça se ergue suavemente fora da sepultura, para uma coroa misteriosa. Emily de Putron foi buscar no céu a serenidade suprema, complemento das existências inocentes. Ela se foi: juventude, para a eternidade; beleza, para o ideal; esperança, para a certeza; amor, para o infinito; pérola, para o oceano; Espírito, para Deus.
“Vai, alma!
“O prodígio desta grande partida celeste, que chamam morte, é que os que partem não se afastam. Estão num mundo de claridade, mas assistem, como testemunhas enternecidas, ao nosso mundo de trevas. Estão no alto, e muito perto. Ó, quem quer que sejais, que vistes desaparecer na tumba um ente querido, não vos julgueis abandonados por ele. Está sempre lá. Está ao vosso lado mais que nunca. A beleza da morte é a presença. Presença inexprimível das almas amadas, sorrindo aos nossos olhos em lágrimas. O ser chorado desapareceu, mas não partiu. Não mais percebemos o seu rosto suave... Os mortos são os invisíveis, mas não estão ausentes.
“Rendamos justiça à morte. Não sejamos ingratos para com ela. Ela não é, como se diz, um aniquilamento, uma cilada. É um erro acreditar que tudo se perde na obscuridade desta fossa aberta. Aqui tudo reaparece. O túmulo é um lugar de restituição. Aqui a alma retoma o infinito; aqui ela readquire a sua plenitude; aqui entra na posse de sua misteriosa natureza; liberta-se do corpo, liberta-se da necessidade, liberta-se do fardo, liberta-se da fatalidade. A morte é a maior das liberdades. É, também, o maior dos progressos. A morte é a ascensão de tudo o que viveu em grau supremo. Ascensão fascinante e sagrada. Cada um recebe o seu aumento. Tudo se transfigura na luz e pela luz. Aquele que na Terra só foi honesto torna-se belo; o que foi apenas belo torna-se sublime; o que só foi sublime torna-se bom.
“E agora, eu que falo, por que estou aqui? o que é que trago a esta fossa? com que direito venho dirigir a palavra à morte? Quem sou eu? Nada. Engano-me, sou alguma coisa. Sou um proscrito. Exilado pela força ontem, exilado voluntário hoje. Um proscrito é um vencido, um caluniado, um perseguido, um ferido do destino, um deserdado da pátria. Um proscrito é um inocente sob o peso de uma maldição. Sua bênção deve ser boa. Eu abençoo este túmulo.
“Abençôo o ser nobre e gracioso que está nesta fossa. No deserto encontram-se oásis; no exílio encontram-se almas. Emily de Putron foi uma dessas encantadoras almas encontradas. Venho pagar-lhe a dívida do exílio consolado. Eu a abençôo na profundeza da sombra. Em nome das aflições sobre as quais ela resplandeceu docemente, em nome das provações do destino, para ela acabadas, para nós continuadas; em nome de tudo o que ela esperou outrora e de tudo o que obtém hoje, em nome de tudo o que ela amou, abençôo esta morte, abençôo-a na sua grandeza, na sua juventude, na sua ternura, na sua vida e na sua morte; abençôoa na sua branca túnica sepulcral, na sua missão que deixa desolada, no seu caixão, que sua mãe encheu de flores e que Deus vai encher de estrelas!”
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DA EFE, EM LA PAZ
Atualizado às 20h19.
Mais de 2.000 bolivianos homenagearam neste sábado o comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños, o "Chespirito", intérprete do Chaves e do Chapolin, com um festival de dança dedicado a seus 40 anos de carreira como parte dos tributos que acontecerão em vários países da América Latina.
Veja galeria de fotos da homenagem
Crianças, jovens e inclusive adultos disfarçados com os populares personagens do humorista fizeram durante várias horas uma coreografia em massa na praça San Francisco em La Paz, em um ato organizado pelo canal "Bolivisión".
O local ficou lotado de imitadores do "Chaves", "Chapolin", "Quico", "Chiquinha", "Dona Florinda", "Professor Girafales", "Doutor Chapatin" e "Bruxa do 71", entre outros.
A chefe de Marketing da emissora, Paola Jordán, disse à Agência Efe que a Bolívia é o primeiro país onde é feita a coreografia em para devolver a "Chespirito" o carinho que ele concedeu aos latino-americanos durante 40 anos de televisão.
A homenagem, denominada "América celebra Chespirito", será realizada em 17 países, entre eles Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Equador, Estados Unidos, México, Peru e Nicarágua.
As celebrações na Bolívia incluem concursos para escolher os melhores imitadores do Chaves e descobrir histórias reais parecidas com as do personagem televisivo.
Before you know what kindness really is
you must lose things,
feel the future dissolve in a moment
like salt in a weakened broth.
What you held in your hand,
what you counted and carefully saved,
all this must go so you know
how desolate the landscape can be
between the regions of kindness.
How you ride and ride
thinking the bus will never stop,
the passengers eating maize and chicken
will stare out the window forever.
Before you learn the tender gravity of kindness,
you must travel where the Indian in a white poncho
lies dead by the side of the road.
You must see how this could be you,
how he too was someone
who journeyed through the night with plans
and the simple breath that kept him alive.
Before you know kindness as the deepest thing inside,
you must know sorrow as the other deepest thing.
You must wake up with sorrow.
You must speak to it till your voice
catches the thread of all sorrows
and you see the size of the cloth.
Then it is only kindness that makes sense anymore,
only kindness that ties your shoes
and sends you out into the day to mail letters and
purchase bread,
only kindness that raises its head
from the crowd of the world to say
it is I you have been looking for,
and then goes with you every where
like a shadow or a friend.





Christopher Hitchens passed away at the age of 62.
Christopher Hitchens is dead.
The prolific journalist, well-known public intellectual and noted contrarian, who is perhaps most famous in the eyes of many Americans for his best-selling exegesis against religion, passed away Thursday at the MD Anderson Cancer Center in Houston, Texas. He was 62.
Hitchens, a contributing editor at Vanity Fair and The Atlantic, and a regular columnist at Slate, discovered in June 2010 that he had Stage 4 esophageal cancer, a diagnosis that forced the iconoclast to curtail what had once been a full schedule of public appearances but that did little to slow his prodigious output of essays, columns and book reviews up until the very end.
At a rare public appearance in his final months, Hitchens conceded that his time was running short, but said that he had no plans to give up his life's work in the face of his deteriorating health. "I'm not going to quit until I absolutely have to," he said then, drawing an ovation from the crowd.
Hitchens lived up to that promise, authoring articles for a number of publications during his final weeks on everything from American politics to his own mortality. Writing for Vanity Fair in a piece that was published only days before he died, Hitchens reaffirmed that he hoped to be fully conscious and awake as he passed away, "in order to 'do' death in the active and not the passive sense," much as he had previously explained to his readers was his wish even before he learned of his cancer and prognosis.
"I do, still, try to nurture that little flame of curiosity and defiance: willing to play out the string to the end and wishing to be spared nothing that properly belongs to a life span," he wrote.
Born in Portsmouth, England, in 1949, Hitchens studied at Oxford before launching his journalism career in the 1970s with the magazines International Socialism and the New Statesman. In the early 1980s, he emigrated to the United States, where he was a regular columnist at The Nation for two decades before parting ways with the liberal magazine after proudly disagreeing with its editors about the Iraq war.
Hitchens won the National Magazine Award for commentary in 2007, the same year that he became an American citizen on his 58th birthday. Foreign Policy named him to its list of the top 100 public intellectuals the following year, and Forbes magazine labeled him one of the 25 most influential liberals in the U.S. media in 2009, a distinction that took some by surprise given Hitchens's vocal support of George W. Bush's war on terror.
He was a frequent guest on news programs and at public debates, and rarely passed up the opportunity to defend his positions when given the opportunity to do so. He was the author of nearly 20 books, including God is Not Great: How Religion Poisons Everything, The Trial of Henry Kissinger, Hitch-22: A Memoir, and Arguably, a collection of his more recent essays that was published earlier this year.
Hitchens remained steadfast in his criticism of religion even in the face of his grim prognosis. In an August 2010 interview with Jeffrey Goldberg, his colleague at The Atlantic, Hitchens made it known that even if he were to somehow recant his devout atheism on his deathbed, any apparent conversion would be a hollow gesture. "The entity making such a remark might be a raving, terrified person whose cancer has spread to the brain," he said. "I can't guarantee that such an entity wouldn't make such a ridiculous remark. But no one recognizable as myself would ever make such a ridiculous remark."
Slate friends and family will have more on Hitchens, his work and his legacy in the coming hours and days. Follow The Slatest on Twitter for updates when new Hitchens-related content is published.

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