quinta-feira, julho 06, 2006

Constatação

A uma semana do fim do prazo de qualificação no mestrado, cheio de referências bibliográficas e lutando contra a entropia da inspiração autoral, a única coisa que me ocorre repetidamente é: precisa-se de escapismo desesperadamente!

segunda-feira, julho 03, 2006

Uma "física" para lá de meta...



Certo, o filme é tendencioso e no mínimo controverso -- senão errado -- no que diz acerca da Física Quântica; também é verdade que alguns dados expostos não estão corretos, como a percentagem de água em nosso corpo, e que o experimento com cristais d'água não tem lá muito crédito. Mas confessem, críticos, que outra iniciativa já foi feita de relacionar ciência e espiritualidade num filme divertido? E, como se não bastasse, não é intrigante a parte que relaciona neuroquímica, emoções e traumas?

Quem Somos Nós? é um filme singular, misto de documentário e comédia dramática (e pilantragem new age, dizem as más línguas com Ph.D.), que, muito mais do que respostas discutíveis, vale pelas perguntas que inspira.

Para se assistir e depois passear na Amazon.com com um cartão de crédito bem disposto. Ou, para quem preferir, pode-se começar por aqui, aqui e depois aqui. E, enquanto se espera os livros chegarem, nada como uma boa consulta à behemótica Wikipédia e a esta matéria da revista Galileu, pois a simpatia por uma iniciativa original e divertida não deve nos condenar à credulidade irresponsável.

domingo, julho 02, 2006

Capitalismo e filantropia

Desde sempre, as utopias reivindicaram a superioridade moral sobre o sistema vigente. Talvez não seja absurdo dizer que o milenarismo é uma das formas mais antigas de protesto social, seja na forma de reinos sobrenaturais, ilhas fantásticas ou projetos de engenharia social. Em nossa época, a força dos ataques socialistas ao capitalismo -- ataques, diga-se, muito convincentes quando se viam as condições de vida da grande maioria dos que viviam sob esse sistema -- ainda repercute, e mantém-se arraigada em muito da crítica social existente, para não falar dos clichês e raciocínios fáceis repetidos por 9 em cada 10 jovens "conscientes" e pretensamente "não-alienados". Entretanto, felizmente, hoje a difusão da informação mostra que a realidade não se pauta por dicotomias, por uma moralidade de 8 ou 80. No acalorado debate entre apologistas e inimigos mortais do capitalismo, em que realidade e preceitos ideológicos se confundem, ainda podemos encontrar pistas de que, bem gerenciado, ele ainda permite que muita coisa seja feita sem necessariamente ter-se de apelar a revoluções miraculosas. Um exemplo é a reportagem abaixo, da VEJA desta semana. Descontando-se o tom marcadamente liberalóide de certos trechos, os dados levantados dão o que pensar.

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Especial
Os santos do capitalismo

A doação do investidor Warren Buffett
à fundação de Bill Gates é o maior exemplo
de como o capitalismo americano consegue
não só gerar riquezas astronômicas como
também devolvê-las de forma solidária
e produtiva à sociedade


Marcio Aith e Giuliano Guandalini



NESTA REPORTAGEM
Quadro: Os maiores doadores
Quadro: Da caridade católica à eficiência empresarial
Quadro: Os incluídos do capitalismo
Quadro: Os grandes doadores brasileiros

É com certa dose de cinismo que os americanos reagem sempre que um bilionário doa sua fortuna à filantropia em vez de entregá-la aos descendentes. Nos Estados Unidos, como o imposto sobre a transmissão de grandes heranças pode atingir 70%, faz mais sentido criar fundações com objetivos sociais e colocar os filhos para comandá-las do que transferir o patrimônio diretamente a eles. Isso sem contar a possibilidade de abater do imposto de renda boa parte do dinheiro gasto com caridade. Em muitos casos, doações vultosas também se prestam a purgar pecados empresariais sobre os quais grandes fortunas se formaram, preservando um bom nome para as famílias que delas se beneficiaram em vida. Essa foi uma (não a única, vale lembrar) das motivações que fizeram os lendários empresários John D. Rockefeller, criador da Standard Oil, e Andrew Carnegie, o pioneiro da siderurgia americana, criar fundações filantrópicas, hoje centenárias. Esses fatores ajudam a entender por que os EUA tornaram-se pioneiros da moderna filantropia, com doações anuais que chegam a 260 bilhões de dólares. Mas são incapazes de explicar a dimensão histórica do gesto anunciado na semana passada pelo investidor Warren Buffett, o segundo homem mais rico do mundo.

Aos 75 anos, Buffett decidiu doar em vida 85% (o equivalente a 37,4 bilhões de dólares) de sua fortuna, construída ao longo de quatro décadas à frente do fundo de investimentos Berkshire Hathaway. A maior parte desse dinheiro, 30,7 bilhões de dólares, será transferida de forma escalonada para a fundação administrada por Bill Gates, o homem mais rico do mundo, e sua mulher – a Fundação Bill & Melinda Gates, que financia escolas públicas e pesquisas para a cura de doenças. O restante do dinheiro vai para a própria fundação de Buffett e para três outras geridas por seus filhos. É a maior doação da história. Mesmo em valores atualizados, ela equivale a todas as doações de Rockefeller e de Carnegie somadas. Antes do anúncio de Buffett, o recorde de filantropia estava com o próprio Gates, que destinara 28 bilhões de sua fortuna de 50 bilhões de dólares à fundação que leva seu nome. Somadas, as doações de Buffett e Gates compõem a mais formidável instituição jamais montada com o objetivo de ajudar pessoas e países necessitados – uma multinacional do bem do tamanho de uma montadora como a japonesa Honda ou uma fábrica de computadores como a Dell, a maior do mundo.

As ações filantrópicas de Gates e de Buffett jogam mais uma pá de cal sobre a balela marxista segundo a qual o objetivo do capitalismo é a concentração de renda e a exclusão do proletariado. Ao construírem sua fortuna, os dois ajudaram a elevar a eficiência da economia americana, enriqueceram acionistas e criaram empregos – para não falar da democratização da informação promovida pelos computadores pessoais difundidos por Gates. Depois, ainda em vida, decidiram devolver à sociedade grande parte do espetacular excedente de riqueza que acumularam em períodos curtos – Buffett tornou-se bilionário aos 55 anos; Gates fez seu primeiro bilhão aos 31 anos. O gesto filantrópico de ambos não só se insere na lógica do capitalismo moderno, como também coloca o regime de mercado num patamar moral superior. O filósofo alemão Karl Marx, arauto do comunismo, previa o fracasso do capitalismo porque o sistema dependia da exploração crescente e infinita do proletariado para gerar lucros e produtividade. Segundo ele, como existe um limite para a exploração do trabalho humano, os lucros parariam de crescer, assim como a produtividade. O socialismo triunfaria. Tudo errado. O capitalismo não precisa de pobres como imaginava Marx, uma mente de terceira categoria que conseguiu enorme legião de seguidores no século passado por sua pregação de natureza religiosa. Exige, isso sim, consumidores com dinheiro, boa formação educacional e vontade de ascender socialmente. O próprio sistema cria um círculo virtuoso de riqueza, como mostram os indicadores sociais dos países que liberalizaram sua economia (veja quadro).

Há, é claro, excluídos – e aqui entra a função dos filantropos bilionários (ou "bilhãotropos", como os batizou a revista inglesa The Economist). Com muito dinheiro, fruto de uma geração de excedentes financeiros sem paralelo na história, e não apenas trocados para a caridade eventual, eles são capazes de fazer diferença e fornecer um modelo para que ações filantrópicas se multipliquem mundo afora. Esses filantropos bilionários não querem apenas aliviar o sofrimento dos excluídos, mas promover sua ascensão e trazê-los, como consumidores e acionistas, ao sistema de mercado. Com o gesto espetacular de Buffett, a fundação de Gates terá 60 bilhões de dólares para projetos sociais. É de longe a maior entidade filantrópica que já existiu. Seu poder de fogo, o mesmo de companhias de grande porte, supera até orçamentos de entidades multilaterais ligadas à ONU e de programas sociais do próprio governo americano. Para se ter uma idéia, enquanto o programa antiaids das Nações Unidas liberou 172 milhões de dólares para portadores do HIV e filhos de vítimas da doença no ano passado, a fundação de Gates investiu 1 bilhão de dólares apenas para financiar pesquisadores que buscam a cura de doenças como a aids, a tuberculose e a malária.

Além disso, dado o fracasso dos governos e das entidades multilaterais no combate à pobreza e às endemias, os filantropos bilionários dispõem-se a transportar eficiência empresarial para a causa. Há muito que mudar na própria filantropia. Em 1999, em artigo publicado na Harvard Business Review, o professor Michael Porter apontou problemas sérios de administração dentro das maiores entidades americanas destinadas a causas sociais e culturais. De acordo com ele, gastos não eram fiscalizados e ninguém verificava se os investimentos sociais davam retorno. Recentemente, a própria fundação de Gates admitiu que piorou a qualidade de ensino em várias das pouco mais de 1.000 escolas públicas americanas nas quais investiu. A piora se deu por um motivo prosaico. Sob a supervisão de especialistas contratados pela Fundação Bill & Melinda, as escolas maiores foram divididas em dois ou até três novos estabelecimentos. Além disso, o número de alunos em cada classe foi reduzido. Imaginava-se que, assim, os alunos receberiam mais atenção. No entanto, como não havia professores de qualidade para suprir as vagas que se abriram por causa dessas mudanças, o ensino piorou. "Não me abalo com isso. Vamos aprender com os erros. Temos paciência, dinheiro e especialistas excelentes para nos ajudar", disse Gates. Outros jovens bilionários da filantropia também compartilham dessa visão, além do tempo necessário para perseguir seus objetivos. Larry Page e Sergey Brin (Google), Pierre Omidyar (fundador do site de leilões eBay), David Duffield (PeopleSoft) e David Geffen (DreamWorks) são alguns dos bilionários que trouxeram novos princípios para a filantropia. Suas ações são guiadas por critérios que vão da auto-suficiência dos projetos sociais ao foco dos investimentos.

Bill Gates é o maior inspirador dessa turma do bem. Homem mais rico do mundo, é co-fundador da maior fabricante de programas para computador, a Microsoft, criada em 1975. Foi o idealizador do sistema operacional mais popular que existe, o Windows, lançado no início dos anos 80. Estudou matemática da computação em Harvard, mas abandonou os estudos para se dedicar, juntamente com o colega Paul Allen, à criação de sua empresa, que nasceu como uma pequena firma de garagem. Durante a bolha de valorização das ações da internet, a fortuna de Gates chegou a ser avaliada em 100 bilhões de dólares (foi o primeiro americano a atingir a cifra). Sempre manifestou o interesse de trabalhar com filantropia e, em 2000, fundou com sua mulher, Melinda, a fundação que leva o nome de ambos. Recentemente, Gates anunciou que deixará o comando da Microsoft em 2008 e passará a dedicar seu tempo quase que exclusivamente à filantropia. Com a megadoação de Buffett, os recursos serão dobrados, e a fundação deverá investir 3 bilhões de dólares ao ano.

Nati Harnik/AP
TEMPLOS DO CAPITALISMO
Reunião anual dos acionistas da empresa de Buffett, em Omaha, e loja ocidental no Vietnã: a fase da democratização do capitalismo
AFP

Buffett, que vai orientar as aplicações financeiras da fundação de Gates, também é ícone de eficiência. Mas de uma geração anterior. Filho de um corretor de investimentos, ele começou a trabalhar na empresa do pai aos 11 anos, em Omaha (Nebraska), registrando numa lousa o preço das ações. Aos 13, já comprava e vendia ações. Estudou administração na Universidade de Nebraska e depois em Colúmbia, em Nova York, onde teve aulas com Benjamin Graham, pai da moderna teoria de investimento em ações. Trabalhou por algum tempo em Nova York, mas logo voltou para sua Omaha natal, onde se estabeleceu e até hoje mantém seu quartel-general – com instalações relativamente modestas. Ele abriu sua primeira empresa de investimentos em 1956, aos 25 anos de idade, com um capital de 100 dólares. O primeiro milhão veio aos 32 anos, e o primeiro bilhão, aos 55. Em 1993, já era o homem mais rico dos Estados Unidos, com uma fortuna estimada em 8,3 bilhões de dólares, mas nunca se enquadrou no perfil do especulador típico. Seu foco sempre foi o investimento de longo prazo e em empresas normalmente associadas ao setor produtivo. Comprou milhares de ações de gigantes do capitalismo americano, como a Coca-Cola e a Gillette, quando essas firmas estavam em baixa e seus papéis, desvalorizados.

Sua estratégia é investigar as empresas a fundo, para saber se são bem administradas e se há potencial de crescimento. Sobre o motivo de investir na Gillette, afirmou: "Você vai dormir tranqüilamente só de pensar que a barba de 2 bilhões e meio de homens está crescendo enquanto você dorme. Ninguém da Gillette tem insônia". O desempenho de seus negócios espelha seu enorme talento para multiplicar dinheiro – dele e dos outros. Em 1965, quando assumiu o controle da Berkshire Hathaway, então uma firma de origem no setor têxtil mas que também vendia seguros, as ações da companhia eram negociadas a menos de 10 dólares cada uma. Hoje, uma única ação custa quase 100.000 dólares, uma assombrosa valorização de 1.000.000% em quarenta anos. Quem tivesse aplicado 100 dólares na firma de Buffett, em 1965, teria hoje 1 milhão de dólares. Os mesmos 100 dólares aplicados na média do Dow Jones equivaleriam a 1 500 dólares. Entre as companhias em que Buffett investe estão algumas das marcas mais poderosas dos Estados Unidos, como Nike, Gap, General Electric, Wal-Mart e Washington Post. O congresso anual dos acionistas da Berkshire, comandado pelo bilionário, leva uma multidão a Omaha. São pessoas que, muitas vezes, compram ações da empresa só para ter o direito de ver de perto o ídolo Buffett, na esperança de absorver um pouco da genialidade do mestre. É o Woodstock dos capitalistas. Sobre o destino de sua fortuna, Buffett costumava dizer que deixaria para os filhos apenas o suficiente para que eles fizessem o que quisessem – e não demais, senão eles não fariam coisa alguma. O resto doaria para a caridade. Foi o que fez.

Outros países podem adotar o exemplo dos filantropos americanos? Não é fácil, dado que a filantropia está entranhada na cultura dos Estados Unidos e, por lá, existe uma moldura fiscal que a incentiva fortemente. Além disso, a pujança econômica do país funciona como mola propulsora. Os Estados Unidos contam com o maior número de milionários no planeta. Existem 2,6 milhões de americanos com mais de 1 milhão de dólares em investimentos, segundo uma pesquisa das consultorias Merrill Lynch e Capgemini. Em dez anos houve o ingresso de 100.000 novos milionários na economia americana. De acordo com outro estudo, feito pela Universidade Johns Hopkins entre 1995 e 2002, as doações filantrópicas nos Estados Unidos chegaram a 2% do produto interno bruto (PIB). Para efeito de comparação, as doações na França não passaram de 0,3% e as da Itália ficaram em 0,1% do PIB.

No Brasil, quase não há facilidades fiscais para estimular as doações e ações de filantropia. Na verdade, sobram dificuldades. Segundo um estudo do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), 20% da população economicamente ativa faz algum tipo de doação cujo valor médio é equivalente a um salário mínimo por ano. "É um milagre se considerarmos que não há quase nenhum incentivo para isso", diz Marcos Kisil, presidente do instituto. Como pessoa física, o brasileiro consegue abater no máximo 6% do que deve ao imposto de renda, se fizer doações para os conselhos municipais, estaduais e federais dos direitos da criança e do adolescente, que são os controladores dos fundos beneficiados pelas doações. A legislação para empresas e fundações é um pouco mais flexível – dependendo da área de atuação ou do tipo da doação pode até haver a isenção tributária total.

Sérgio Castro/AE
NO BERÇÁRIO
Fundação Bradesco: burocracia e falta de cultura emperram a filantropia no Brasil

Mas o problema brasileiro não é só fiscal. É mental, burrice mesmo. O empresário José Mindlin, dono de uma biblioteca com mais de 50.000 livros, levou oito anos para conseguir doar parte de sua biblioteca. Inicialmente, Mindlin descobriu que, para isso, precisaria atualizar o valor das obras pelo valor de mercado. Ele teria de pagar, assim, um imposto de 15% sobre a diferença entre os valores inicial e final. A quantia era altíssima. Mindlin, então, decidiu criar sua própria fundação, que serviria como receptora dos livros. Descobriu, no entanto, que, ao colocar as obras sob a propriedade de sua própria entidade, teria de pagar um imposto de transmissão de bens de 4%. Mindlin só conseguiu fazer a doação quando a lei foi alterada para deixar os livros isentos do pagamento de impostos em doações. As obras serão encaminhadas para a Universidade de São Paulo dentro de três anos. Diante das dificuldades enfrentadas por Mindlin no Brasil, a declaração de Buffett, na cerimônia em que anunciou a doação bilionária, ganha um sentido para além da piada patriótica: "Nasci nos Estados Unidos, em 1930. As chances de ter nascido neste país eram de uma em quarenta. Então, foi como ter ganhado na loteria".

AS REGRAS DA NOVA FILANTROPIA

Bill Gates lidera uma geração de jovens milionários que buscam a máxima eficiência e elevados retornos para investimentos sociais. Suas ações filantrópicas são guiadas pelos seguintes critérios empresariais:

AUTO-SUFICIÊNCIA
Projetos sociais não devem ser ralos de dinheiro. Sempre que possível, devem criar suas próprias fontes de renda e se tornar auto-suficientes financeiramente. Exemplo: programas de microcrédito que rendem juros

EFICIÊNCIA
Há metas para a obtenção de resultados efetivos e controles para impedir um inchaço da burocracia filantrópica. Fundações não devem gastar mais que 20% do que emprestam

FOCO
Não se doa dinheiro aleatoriamente. Os projetos são escolhidos com cuidado, de acordo com o retorno econômico ou social que podem gerar. As fundações trabalham com objetivos claros, como a descoberta da vacina contra a aids ou a malária

TRANSPARÊNCIA
As ações filantrópicas e sua administração financeira passam por auditoria e apresentam relatórios anuais de suas atividades e resultados

ENTRAVES À FILANTROPIA NO BRASIL

LEGISLAÇÃO
Nos EUA, onde doações individuais à filantropia geram créditos tributários, 89% das famílias dão dinheiro a programas sociais ou religiosos. Do total de recursos doados por lá, 75% vêm de cidadãos comuns. Pessoas físicas praticamente não gozam desse benefício fiscal no Brasil – apenas empresas e fundações

BUROCRACIA
Restrições legais quase intransponíveis dificultam a doação individual de dinheiro e equipamentos para universidades públicas. O brasileiro que quiser doar livros para uma universidade, por exemplo, é obrigado a pagar impostos

CORRUPÇÃO E CAIXA DOIS
Escândalos sucessivos com empresas de filantropia jogaram uma nuvem de suspeição sobre entidades do setor.



quinta-feira, junho 22, 2006

Uma reflexão

Nós temos uma vida emocional, mas não somos nossa vida emocional.

Joanna de Ângelis (psicografia de Divaldo Franco).

quinta-feira, junho 15, 2006

Uma voz querida

Dubladores são o paradoxo do mundo artístico: famosíssimos e anônimos ao mesmo tempo, entram em nossas casas todos os dias e não fazemos idéia de quem sejam, ou mesmo seus nomes. Só muito recentemente começaram a receber créditos pelas produções a que emprestam a voz, permitindo ao público ao menos saber o nome daqueles que muitas vezes o acompanham há décadas nos momentos de lazer e informação. Freqüentemente escalados para dublarem os mesmos atores e personagens -- vide o caso do Magneto dos desenhos animados e o dos filmes dos X-Men --, acabam entrando para a memória afetiva do espectador, mesmo que ele não se dê conta disso.

Há tempos percebi que a voz aveludada e inesquecível que eu ouvira da boca de Jack Palance, em Acredite se Quiser, e Jack Nicholson e Gene Hackman, em várias produções, estava ausente da TV. Reparei ao assistir a um episódio de Liga da Justiça, na qual o Coringa, que desde a estréia do filme do Batman em 1989 tinha a mesma voz atribuída a Nicholson, tivera sua voz mudada. Aquele timbre magnífico e elegante, tanto mais fascinante pelo contraste com a loucura do personagem, fora trocado por uma voz caricata, um tanto esdrúxula, sem grandiosidade. Quando percebi que Hackman e o velho Jack também haviam sido privados daquela voz excepcional, fiquei preocupado: teria o dublador se aposentado? Afinal, quem era ele? Ainda o ouviria novamente?

Hoje obtive a resposta. A Wikipédia, em sua versão em português, tem entradas para vários dubladores brasileiros, que podem ser identificados (já que quase nunca sabemos seus nomes) pelas produções que dublaram. E foi assim que descobri que meu ídolo vocal se chamava Darcy Pedrosa, radialista e ator, falecido aos 68 anos em 1999. Já fazia sete anos desde seu passamento e eu nem imaginava que jamais tornaria a ouvi-lo outra vez.

Bem, lá se vai um artista que deixa saudades -- embora jamais o tenha visto. Fica aqui o registro e a homenagem.

terça-feira, junho 13, 2006

O retorno do filho pródigo...

Dos muitos lazeres que a modernidade nos pôs à disposição, são justamente os mais "sofisticados", afeitos à tecnologia, os que primam pela efemeridade. Refiro-me não ao que podemos produzir com eles, mas simplesmente à habilidade para exercê-los. Diz-se que nunca esquecemos como andar de bicicleta, e, embora eu duvide um pouco disso, certamente ninguém ousará dizer o mesmo de jogos eletrônicos, confecção de home pages e, agora, blogs. Podemos praticar cada uma dessas atividades com afinco, dominá-las à perfeição, mas basta um período não tão longo sem prática e toda aquela maestria vai esmaecendo. Os macetes escoaram por algum recesso cerebral, e os velhos reflexos, antes tão afiados, têm de ser reconstruídos, certamente com mais facilidade do que da primeira vez, mas nem sempre até o nível de antes. De certa maneira, é como se nossa habilidade específica envelhecesse.

Será assim também com a escrita? Nos últimos meses, este caderno virtual de notas apresentou cada vez mais material alheio enquanto a presença de seu autor minguava a umas poucas palavras introdutórias em posts infreqüentes. Curiosamente, não se tratou nem de falta de assunto nem crise de inspiração -- pelo contrário, poucas vezes as idéias e os temas afloraram com tanta facilidade, nem tanto por rompantes criativos quanto pela própria riqueza das novas experiências deste divagador. O mais criativo dos escritores não negará que é muito mais fácil, senão estimulante, escrever sobre aquilo que se viveu do que procurar assunto em matérias estranhas à nossa realidade pessoal. Em tese, isso significa que um blogueiro nessas circunstâncias seria muito mais prolífico do que o normal, tirando do dia-a-dia a base de posts sem conta. Era o que eu também achava, até por experiência, até perceber que o contrário também é possível: desfrutar uma fase tão envolvente que vivê-la pode ser muito mais interessante que dissertar a seu respeito. Primum vivere, deinde philosophare, diziam os antigos: "Primeiro viver, depois filosofar". Não há dúvida de que muitos conseguem conciliar ambas as coisas de forma até sublime; este blogueiro, contudo, pela primeira vez em muito tempo, permitiu-se uma exceção em seus hábitos de autobiógrafo indireto e simplesmente desarmou-se da pena por algum tempo. Verdade que menos por escolha que por inércia, mas o fato consumou-se.

Esse interlúdio como mero leitor, sem compromisso com a escrita própria, serviu para mostrar o quanto escreever é um hábito e, como todo hábito, requer uma boa dose inicial de vontade. Não basta o sopro da Musa a trazer idéias e mais idéias; há que se ter o trabalho de traduzir toda aquela avalanche de pensamentos velozes na corrente lenta e ordenada de um texto -- isso quando há trabalhos esperando, prazos que se esgotam, horários que devem ser cumpridos e, por último mas não menos importante, as incontáveis distrações do dia-a-dia. Sim, pois quando se tem uma biblioteca sedutora, Internet e paixão por história em quadrinhos, é que se descobre o quão curto um dia, uma semana e sobretudo um prazo podem ser.

Nada de lamúrias, porém. Por hoje, quebrei o longo jejum e, se este não é o mais brilhante dos meus posts (se houve brilho em algum deles), ao menos tem o mérito de ter finalmente chegado inteiro à tela do computador. E isso apesar de não ter nascido de nenhum insight, nenhuma inspiração fulminante, nenhum assunto longamente meditado e desenvolvido por dias... ou talvez exatamente por essa razão. Na falta de uma disciplina rigorosa da vontade, uma virtude que freqüentemente me atribuem sem saberem realmente do que estão falando, sobra apenas o impulso, o improviso, o pôr-se diante do teclado e calar o crítico interno enquanto se constrói alguma coisa que possa ser lida ao menos por mim mesmo. Ei-la. Agora tudo é uma questão de dar prosseguimento.

Depois, claro, de tirar todas essas teias de aranha que apareceram por aqui...

domingo, junho 11, 2006

Videogames: ginástica cerebral

http://www.opinionjournal.com/taste/?id=110008463

TASTE COMMENTARY

The Brain Workout
In praise of video games.

BY BRIAN C. ANDERSON
Friday, June 2, 2006 12:01 a.m. EDT

A few weeks ago, Sony and Nintendo both revealed their newest video-game systems to great fanfare, complete with slicker graphics and motion sensors. But not everyone was pleased. An increasingly noisy chorus of critics charge that the video-game industry--whose receipts now top the Hollywood box office--threatens to transform American kids into drooling zombies or out-and-out sociopaths. "We're trying to keep children away from R-rated violent movies that last 90 minutes," grumbles conservative media critic Brent Bozell, "but in too many basements and kids' bedrooms in America, children are role-playing murderers for hours on end, ad infinitum."

Raunchy, blood-soaked video games, unleashing "a silent epidemic of media desensitization," are "stealing the innocence of our children," agrees Hillary Clinton. That's why she and fellow senators Joe Lieberman and Evan Bayh have introduced legislation to regulate the video-game industry, codifying its voluntary rating system and making it a federal crime for retailers to sell or rent inappropriate games to minors. Even the latest edition of Dr. Spock's famous guide to childrearing deems gaming a "colossal waste of time" at best, anger-stoking at worst.

The hysteria isn't surprising. New media have always met with suspicion: As The Economist editorialized a while back, a "neophobic" tendency dates from antiquity, with Plato's argument in the "Phaedrus" that the relatively newfangled medium of writing corrupted the memory-building powers of oral culture. Of course sometimes the new is bad. Yet the critics of video games are not only conjuring up a threat where none exists; they're ignoring the positive moral lessons and cognitive benefits that many of today's sophisticated games offer.



Most video games aren't violent or racy. A recent survey from the Progress and Freedom Foundation, a free-market think tank, found that more than 80% of the top-selling titles for the past five years came with the video-game industry's "Everyone" or "Teen" ratings, meaning that parents can assume reasonably inoffensive game content. About 15% of 2005's games received "Mature" or "Adults Only" ratings--surprisingly few, given that 65% of gamers are 18- to 34-year-olds.

The industry's self-imposed rating system is informative, featuring not only the rating but also a description of what might be offensive in the game. A T-rated game for example, might warn: "Blood and Gore, Intense Violence, Strong Language and Suggestive Themes." The content reports are accurate, at least in my experience as the father of two young video-playing boys. And with many titles selling for $50 or $60 a pop, how many children can get a hold of games without mom's or dad's consent in the first place?

But even if your 13-year-old is spending a lot of time offing enemies thrown at him by Tom Clancy's new Ghost Recon, there's no hard evidence that he'll want to try homicide in real life. The most comprehensive study yet on the social effects of such kill-or-be-killed games, conducted by researchers at the University of Illinois and the University of Michigan, found that prolonged playing of Asheron's Call 2--a gory online multiplayer fantasy--didn't make study participants more belligerent. Some observers speculate that playing violent video games may be cathartic, channeling pre-existing violent impulses into virtual reality, where they can do no harm. It's worth noting that the emergence of video games as a major youth enthusiasm has occurred at the same time as a striking drop in juvenile violence. Maybe Sen. Clinton should be encouraging more gaming instead of calling for a federal crackdown on it.

The truth is, critics are often ignorant of the moral universe of video games--violent games included. Yes, the wildly popular Grand Theft Auto series, in which the gamer plays a criminal on the make in the big city, is pretty amoral. But most violent games put the player in a familiar hero's role, notes Judge Richard Posner in a 2001 Seventh Circuit appeals-court decision overturning an Indianapolis anti-video-game ordinance. "Self-defense, protection of others, dread of the 'undead,' fighting against overwhelming odds--these are the age-old themes of literature, and ones particularly appealing to the young," Mr. Posner observes.

Nonviolent games like The Sims franchise, an open-ended computer simulation of suburban life likened by visionary creator Will Wright to a "digital dollhouse," teach players bourgeois virtues. Blogger Glenn Reynolds, who devotes a chapter to gaming in his recent book on technology and society, "An Army of Davids," overheard his young daughter chatting with a friend about The Sims (a favorite among female gamers). "You have to have a job to buy food and things, and if you don't go to work, you get fired," she said matter-of-factly. "And if you spend all your money buying stuff, you have to make more." Thanks to The Sims, Mr. Reynolds says, his daughter now knows how to budget and how to read an income statement. In SimWorld, he notes, "narcissism, hedonism and impulsiveness are punished" and "traditional middle-class virtues, like thrift and planning, generally pay off."

Video games can also exercise the brain in remarkable ways. I recently spent (too) many late-night hours working my way through X-Men: Legends II: The Rise of Apocalypse, a game I ostensibly bought for my kids. Figuring out how to deploy a particular grouping of heroes (each of whom has special powers and weaknesses); using trial and error and hunches to learn the game's rules and solve its puzzles; weighing short-term and long-term goals--the experience was mentally exhausting and, when my team finally beat the Apocalypse, exhilarating.



Technology writer Steven Johnson likens the intellectual process at work in video gaming to "the basic procedure of the scientific method." True, I might have better used my time reading Phillip Roth's new novel, but as mind-aerobics this exercise surely beat watching the tube. As for my kids navigating the game, wouldn't it be comparable with their playing chess for hours?

A growing number of innovators recognize the intellectual benefits of gaming and seek to use video games for educational or therapeutic ends. The Serious Games Initiative, USA Today recently reported, got its start in 2002, when the U.S. Army released America's Army, a free online game that allows players to "live" the Army. More than five million people have registered to play. Venture capital and philanthropic dollars are now pouring into Serious Games projects in health care, mathematics and government and corporate training. One encouraging early result is Free Dive, a game that distracts children suffering from chronic pain or undergoing painful operations in real life with a calming underwater virtual reality.

With the next generation of high-powered consoles on the market or soon to appear, gamers will have even richer, more complex virtual environments, many of them nonlinear, to explore. Working through these worlds alone, with friends or--in the ever more popular "massively multiplayer online role-playing games," or MMOs--with thousands of strangers is far from a "colossal waste of time." Video games are popular culture at its best. Critics would do better to drop the hysterical laments and pick up a joystick.

Mr. Anderson is senior editor of the Manhattan Institute's City Journal and the author of "South Park Conservatives."

segunda-feira, abril 10, 2006

Educação moral

Uma proposta interessante: http://www.educacaomoral.org.

domingo, março 26, 2006

Uma ópera gráfica


Um filme como nenhum outro que você tenha visto, e com implicações em seu roteiro que vão muito além dos clichês maniqueístas das produções do mesmo gênero. Talvez "Animatrix" se lhe compare, mas apenas pela ousadia e pela qualidade filosófica do argumento. Em termos puramente visuais, esta é uma produção quiçá única, porém, mesmo que outra lhe seja semelhante, a combinação roteiro e fotografia não tem rival.

Maiores informações no link do título deste post.

segunda-feira, março 20, 2006

Amor, interrompido: "A Garota da Vitrine"


A história tocante, compassiva, de um amor possível. Cada um dá o que tem, diz a sabedoria popular, mas o que fazer quando se tem medo de doar o que temos de mais precioso, que somos nós mesmos?


Um filme que deveria fazer parte da educação sentimental de nosso tempo. E, para quem preferir, ainda tem o romance em que ele foi baseado, de autoria -- pasmem! -- do próprio Steve Martin.

segunda-feira, março 13, 2006

A formosura na tristeza




Para madrugadas de sonho e reflexão, uma mostra de como mesmo a melancolia pode ser bela: "Tema de Rena".

terça-feira, fevereiro 28, 2006

A origem (e o fim) das louras

Ora, então o excesso de civilização levou o que era uma vantagem reprodutiva a perder o sentido... Quem diria que os alegados atrativos dos pigmentos claros seriam vencidos pelo tédio da social-democracia escandinava e seus vizinhos...
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The Sunday Times February 26, 2006

Cavegirls were first blondes to have fun
Roger Dobson and Abul Taher

THE modern gentleman may prefer blondes. But new research has found that it was cavemen who were the first to be lured by flaxen locks.

According to the study, north European women evolved blonde hair and blue eyes at the end of the Ice Age to make them stand out from their rivals at a time of fierce competition for scarce males.

The study argues that blond hair originated in the region because of food shortages 10,000-11,000 years ago. Until then, humans had the dark brown hair and dark eyes that still dominate in the rest of the world. Almost the only sustenance in northern Europe came from roaming herds of mammoths, reindeer, bison and horses. Finding them required long, arduous hunting trips in which numerous males died, leading to a high ratio of surviving women to men.

Lighter hair colours, which started as rare mutations, became popular for breeding and numbers increased dramatically, according to the research, published under the aegis of the University of St Andrews.

“Human hair and eye colour are unusually diverse in northern and eastern Europe (and their) origin over a short span of evolutionary time indicates some kind of selection,” says the study by Peter Frost, a Canadian anthropologist. Frost adds that the high death rate among male hunters “increased the pressures of sexual selection on early European women, one possible outcome being an unusual complex of colour traits.”

Frost’s theory, to be published this week in Evolution and Human Behavior, the academic journal, was supported by Professor John Manning, a specialist in evolutionary psychology at the University of Central Lancashire. “Hair and eye colour tend to be uniform in many parts of the world, but in Europe there is a welter of variants,” he said. “The mate choice explanation now being put forward is, in my mind, close to being correct.”

Frost’s theory is also backed up by a separate scientific analysis of north European genes carried out at three Japanese universities, which has isolated the date of the genetic mutation that resulted in blond hair to about 11,000 years ago.

The hair colour gene MC1R has at least seven variants in Europe and the continent has an unusually wide range of hair and eye shades. In the rest of the world, dark hair and eyes are overwhelmingly dominant.

Just how such variety emerged over such a short period of time in one part of the world has long been a mystery. According to the new research, if the changes had occurred by the usual processes of evolution, they would have taken about 850,000 years. But modern humans, emigrating from Africa, reached Europe only 35,000-40,000 years ago.

Instead, Frost attributes the rapid evolution to how they gathered food. In Africa there was less dependence on animals and women were able to collect fruit for themselves. In Europe, by contrast, food gathering was almost exclusively a male hunter’s preserve. The retreating ice sheets left behind a landscape of fertile soil with plenty of grass and moss for herbivorous animals to eat, but few plants edible for humans. Women therefore took on jobs such as building shelters and making clothes while the men went on hunting trips, where the death rate was high.

The increase in competition for males led to rapid change as women struggled to evolve the most alluring qualities. Frost believes his theory is supported by studies which show blonde hair is an indicator for high oestrogen levels in women.

Jilly Cooper, 69, the author, described how in her blonde youth she had “certainly got more glances. I remember when I went to Majorca when I was 20, my bum was sore from getting pinched”.

However, Jodie Kidd, 27, the blonde model, disagrees with the theory: “I don’t think being blonde makes you more ripe for sexual activity. It’s much more to do with personality than what you look like. Beauty is much deeper than the colour of your hair.”

Film star blondes such as Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, Sharon Stone and Scarlett Johansson are held up as ideals of feminine allure. However, the future of the blonde is uncertain.

A study by the World Health Organisation found that natural blonds are likely to be extinct within 200 years because there are too few people carrying the blond gene. According to the WHO study, the last natural blond is likely to be born in Finland during 2202.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

A nova direita brasileira

Folha de S. Paulo, 15/02/2006.


Vista como "raivosa" por representantes da esquerda, a nova direita cresce com a crise do PT e age como se chegasse a sua vez



Direita, volver!


MARCOS AUGUSTO GONÇALVES

EDITOR DA ILUSTRADA



RAFAEL CARIELLO

DA REPORTAGEM LOCAL



De repente passou a ser bacana o sujeito, numa festa ou numa mesa de bar, rodopiar a taça de vinho e desfilar frases do tipo "essa canalha bolchevique do PT não sabe nem falar português", seguidas de elogios à atuação de George W. Bush no Iraque ou de incursões "teóricas" das quais a principal lição a ser retirada é que só é pobre quem quer.


Cada vez mais à vontade no país que se seguiu à estabilização monetária e, principalmente, ao tombo ético da administração petista, uma nova direita esbalda-se no Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva.


Foi-se o tempo em que a direita parecia se concentrar sobretudo na economia -cujo "bunker" é a PUC do Rio, hegemônica na área desde o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.


Com rosto mais "cultural", na imprensa, articulistas como Diogo Mainardi, da revista "Veja", Reinaldo Azevedo, da revista-site "Primeira Leitura", e Nelson Ascher, desta Folha, encarnam a renovação da tendência. São as versões atualizadas de intelectuais como o "decano" Olavo de Carvalho [leia entrevista na página seguinte] ou de polemistas como José Guilherme Merquior (1941-1991) e Paulo Francis (1930-1997).


Antes "oprimida" pela hegemonia cultural de esquerda -vigente no país desde pelo menos a década de 60-, a nova direita foi crescendo em desembaraço e afetação à medida que a esquerda, golpeada por crises, enfiava o rabo entre as pernas e se via representada por figuras duvidosas, como as do PT, anacrônicas, como Fidel Castro, ou patéticas, como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez (é preciso reconhecer que o material é estimulante).


Para o pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) Marcos Nobre, identificado com a esquerda, o fenômeno "está apenas começando". Ele acredita que os novos arautos da direita se unem numa atitude "raivosa" e também num discurso sedutor. Mas é nas suas linhas mais sofisticadas, diz ele, representadas por nomes como o do economista Eduardo Giannetti, que mora o "perigo" maior.


Já para Reinaldo Azevedo, o perigo são os esquerdistas, que se mostram dispostos a sacrificar a legalidade, mesmo a democrática, em nome de um entendimento peculiar do que seja justiça social. "Eu fico com a legalidade. Nesses termos, eu seria da direita democrática". E acrescenta, provocando: "Se quiserem, no entanto, que eu defenda juros reais de 13% ao ano, podem tirar o cavalo da chuva. Essa direita é o Lula".


O poeta e tradutor Nelson Ascher, colunista da Folha, diz repelir rótulos ideológicos, mas considera que não é um equívoco ser chamado de "direita", se forem seguidas "as regras que aqueles que se denominam "de esquerda" usam para classificar opiniões diferentes". Para ele, "se a religião já foi apelidada de "o ópio do povo", o esquerdismo é o jeans da intelectualidade".


Marcos Nobre considera que o tom adotado por essa vertente revela uma espécie de identificação com o agressor. "Acho que eles apanharam tanto da esquerda, que dizem: "Agora é a nossa vez"." Ele vê nesse traço o reflexo de uma crença "revolucionária" da nova direita, que trataria de impor ao Brasil, pela primeira vez na história (segundo seu julgamento), um choque de capitalismo.


"A lógica é que eles se consideram a vanguarda de uma coisa nova no Brasil, que é o capitalismo. Por isso são tão raivosos", diz. Mas ele considera que há "um lado extremamente positivo, que é a consolidação da democracia. É uma direita que legitimamente pode mostrar sua cara."


A opinião é compartilhada em parte por João Cezar de Castro Rocha, professor de literatura comparada na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). "Trata-se de fenômeno positivo para o ambiente democrático. Afinal, durante décadas, houve uma hegemonia quase incontestada do pensamento de esquerda. Assim, bastava empregar o tom "adequado" para ser considerado um intelectual "engajado", portanto, na posição "correta'", diz.


Mas ele vê problemas com os argumentos dos novos direitistas. "Hoje o que vemos predominar são comentários raivosos e ressentidos, como se os casos de corrupção do PT legitimassem a pilhagem do Estado brasileiro realizada por décadas pelos partidos políticos conservadores. E o nível intelectual? Não há nenhuma comparação possível com o alto calibre de [Mario Henrique] Simonsen, Roberto Campos e [José Guilherme] Merquior."


Luiz Felipe de Alencastro, professor de história do Brasil da Universidade de Paris-Sorbonne, também de esquerda, concorda com Castro Rocha e Nobre ao considerar que o governo Lula foi responsável pelo fortalecimento desse discurso.


"Razões para criticar não faltam", diz Nobre. "A atuação raivosa vem de antes. Mas no governo Lula é sopa no mel. Mistura tudo, até preconceito de classe."


Castro Rocha é mais duro com os petistas. "Em medida maior do que talvez desejássemos, a força do discurso da direita é uma conseqüência direta da crise política, que é especialmente uma crise simbólica. Ora, se um partido como o PT pôde fazer o que fez, então como impor uma barreira ética à voragem histórica da direita brasileira?"


E Giannetti, o "perigoso"? De cara, o economista, professor do Ibmec São Paulo, rejeita toda classificação desse tipo. "Isso é um cacoete intelectual brasileiro -achar que vai desqualificar o pensador atribuindo a ele um rótulo. A minha disposição é discutir problemas e idéias. Não acho que dê para resumir a complexidade de um pensador reduzindo tudo a um rótulo."

Ele, no entanto, critica a esquerda. "No Brasil, todas as pessoas que eu conhecia se imaginavam de esquerda, revolucionárias, ultraprogressistas, e no entanto a realidade é essa que está aí. Acho que essa história de as pessoas se imaginarem de esquerda no Brasil é que é um tremendo auto-engano. É muito gostoso ficar posando de esquerdista e achando que está com as idéias mais avançadas da sua época. Muitos intelectuais brasileiros nutriram durante muito tempo essa fantasia." "A esquerda no Brasil se confundiu muito com o populismo. Com a idéia de que existe um atalho indolor para o crescimento econômico."


A difusão de um novo discurso contrário à esquerda vai produzir mudanças no meio cultural? Reinaldo Azevedo gostaria, mas acredita que não. "Diretores de teatro e de cinema continuarão a pregar a revolução com o patrocínio da Petrobras, que nos arranca o couro com o seu monopólio, mas patrocina proselitismo ideológico para as classes médias mais ou menos intelectualizadas. No país em que se tem uma esquerda dessas, quem tem um olho logo vira direitista", diz.


Regime militar ainda é um estigma


DA REPORTAGEM LOCAL



A direita ameaça sair do armário, mas o problema é: com que roupa? Ainda é forte no país a percepção de que a farda militar de outros tempos lhe cai bem.

Mesmo seus mais notórios representantes traduzem essa dificuldade com a hesitação em assumir o rótulo. Embora a esquerda tenha forte tradição autoritária, décadas de regime militar no Brasil terminaram por criar uma relação quase automática entre direita e ditadura.

Não à toa, o filósofo Denis Lerrer Rosenfield [leia entrevista na página ao lado] repele a caracterização, para depois se dizer da "direita moderna". "As pessoas ficam identificando a direita com regime militar. Aí não dá, né?"

Um dos traços que unificam essa nova corrente, no entanto, é justamente a defesa das liberdades e dos direitos individuais. "Se ser de direita significa defender as liberdades, então sou de direita", diz Rosenfield. "E por liberdades quero dizer as liberdades políticas, de opinião, de expressão, econômica e direitos civis."

O colunista da "Veja" Diogo Mainardi acha difícil ser enquadrado na classificação de nova direita. Ele se diz apenas um antilulista. "Amolo o governo, só isso." O jornalista Reinaldo Azevedo, da revista-site "Primeira Leitura", embora aceite o rótulo "direita democrática", não quer ser confundido com uma direita genérica. O mesmo se aplica ao colunista da Folha Nelson Ascher.


DIREITA, VOLVER!



Para o filósofo Olavo de Carvalho, é hora de criar uma alternativa partidária realmente conservadora no país



"O povo brasileiro é maciçamente de direita"


LAURA CAPRIGLIONE

DA REPORTAGEM LOCAL



Talvez a obra mais conhecida do filósofo Olavo de Carvalho, 58, seja a edição do site Mídia sem Máscara ( http://www.midiasemmascara.org), há anos na rede para denunciar o que chama de "viés esquerdista da grande mídia brasileira".

Carvalho hoje escreve no "Diário do Comércio", órgão da Associação Comercial de São Paulo. Escreve à distância. Desde maio de 2005, mora em Richmond, a duas horas de Washington. É na capital americana que, duas vezes por semana, garimpa material para o livro "A Mente Revolucionária", em que pretende dissecar o pensamento moderno de esquerda. "Um grupo de empresários do Paraná me deu uma verbinha para eu terminar o livro", explicou.





Folha - O que aconteceu com a esquerda no Brasil?

Olavo de Carvalho -
Para começar, eles criaram esse mito de que são santos, de que têm o monopólio da bondade humana. De repente, o Brasil inteiro vê que não é nada disso. É uma decepção tremenda, mas era óbvio que isso ia acontecer. Você não pode colocar um sujeito que é inteiramente analfabeto na Presidência, burro desse jeito, sem critério. Ele não sabe a diferença entre certo e errado, entre bem e mal, então é claro que ia ser essa sem-vergonhice.


Folha - A alternativa, então é...

Carvalho -
O PSDB é que não é. O PSDB é um partido da Internacional Socialista que está comprometido com o globalismo de esquerda, com todos esses valores politicamente corretos. É a direita da esquerda. No Brasil, infelizmente, a política ficou reduzida a isso: uma luta entre a esquerda da esquerda e a direita da esquerda. Quem é conservador mesmo não se deixa enganar por PSDB.


Folha - Não há ninguém no PSDB que sirva?

Carvalho -
Veja o Geraldo Alckmin. Ele aprovou uma lei que multa o rabino que ouse expulsar de sua sinagoga uma drag queen. Mesmo que ela tenha entrado lá só para provocar. Quem faz uma lei dessas não é conservador. É politicamente correto.


Folha - Como o senhor interpreta a versão petista de que é vítima de uma conspiração da direita?

Carvalho -
O surgimento de um pensamento de direita, qualquer sinalzinho, já deixa esse pessoal aterrorizado: eles já se vêem todos na cadeia. Fica um negócio paranóico. Mas a verdade é que o pensamento conservador no Brasil ainda é uma raridade. Existiu em Joaquim Nabuco, em João Camilo de Oliveira Torres, em Minas Gerais, em Gilberto Freyre, em Pernambuco. Mas é pouca coisa. A tradição cultural do Brasil é toda de esquerda. Não há um movimento intelectual conservador. Eu acho que sou o primeiro cara que está tentando fazer isso.


Folha - Do jeito que o senhor está falando, parece que o Brasil é um paraíso da esquerda...

Carvalho -
É até engraçado, porque o pessoal de esquerda vive dizendo que a burguesia cria seu aparato cultural e ideológico. Só que a esquerda convenceu a burguesia a financiar o aparato ideológico esquerdista. Durante a ditadura já era assim. As universidade eram todas de esquerda, as instituições culturais idem.


Folha - Será que a fraqueza do pensamento conservador não reflete a dificuldade de convencer alguém de que é bom conservar as coisas do jeito que são no Brasil?

Carvalho -
O resultado do referendo sobre as armas, o apoio de parcela expressiva da população à pena de morte e outras indicações mostram que o povo brasileiro é maciçamente de direita no que se refere a cultura, moral, costumes. Mas, como só existem partidos de esquerda, acaba-se votando na esquerda. É hora de criar uma opção partidária de direita. Um verdadeiro partido conservador não tem de defender apenas o livre mercado, mas tem de defender um estilo de vida.


Folha - Qual seria o programa de um verdadeiro partido de direita no Brasil?

Carvalho -
1. Anticomunismo. Não queremos comunismo na América Latina. Tchau, tchau e bênção. Adeus, Fidel Castro; adeus, Hugo Chávez, não queremos nada disso; 2. Livre empresa e respeito à propriedade; 3. Moral judaico-cristã; 4. Educação clássica. As pessoas têm de ter os valores fundamentais da civilização; 5. A verdadeira liberdade de discussão. 50% a 50%. Equilíbrio entre as correntes.


Folha - Como é repudiar o comunismo, Cháves e Fidel, e ser favorável a um equilíbrio entre as corrente de direita e esquerda?

Carvalho -
Uma coisa é ser de esquerda, e outra coisa, bem diferente, é essa tradição marxista, comunista. Isso tem de acabar. Porque se trata de ideologia genocida, criminosa.


A esquerda prepondera, diz Rosenfield


UIRÁ MACHADO

COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS



No começo da entrevista, o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, 55, titubeou ao ser questionado se suas idéias são de direita. "Se for algo pejorativo, é um equívoco completo", disse. Depois, fez questão de procurar a reportagem para acrescentar que sim, é de direita. Mas que fique claro: ele fala de uma "direita moderna".

Professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e editor da revista "Filosofia Política", Rosenfield está entre os que vêem espaço para o surgimento de uma nova direita, desvinculada das idéias de um Estado totalitário e corrupto e identificada com a boa gestão administrativa e a defesa das liberdades.

A seguir, trechos da entrevista.





Folha - O sr. considera um equívoco ou um acerto suas idéias serem classificadas como de direita?

Denis Rosenfield -
Se se trata de algo pejorativo, e, portanto, a pessoa está querendo me agredir, é um equívoco completo. No fundo, direita ou esquerda, hoje, são conceitos relativos. Não têm maior conteúdo ideológico. Mas o que ocorre é que, no Brasil, havia e há ainda uma preponderância do pensamento de esquerda marcado pela influência petista. Mas o PT no governo mostrou que essa esquerda não tinha idéia nenhuma. Frente a essa questão, se coloca a necessidade de uma direita moderna.


Folha - Como ela seria?

Rosenfield -
Definiria assim: economia de mercado, Estado de Direito, democracia representativa, Estado menor e menor carga tributária. E acrescentaria um ponto fundamental: no mais amplo reino de liberdades. E isso não se confunde minimamente com selvageria ou com barbárie.


Folha - O escândalo do "mensalão" abriu espaço para essa direita moderna intensificar seu discurso?

Rosenfield -
Certamente. Mas, para que esse discurso da direita moderna se fortaleça, ele precisa de uma bandeira ética, de defesa da moralidade. Identificar a direita com a corrupção é um despropósito completo. No Brasil, a questão da corrupção está vinculada a um outro problema que eu considero central: o tamanho do Estado e a questão dos impostos.


Folha - Mas não é mais "defensável" um Estado que dê sustento à população do que um Estado que deixe as pessoas ao deus-dará?

Rosenfield -
Estou de acordo. Mas eu não estou defendendo a idéia de que o Estado enxuto vai deixar as pessoas pobres ao deus-dará. Digo o seguinte: vamos fazer um choque de gestão e ter outras idéias do ponto de vista de melhor atender os destinatários.

O que você coloca como questão, que eu acho muito boa, é o discurso. Mas temos que confrontar o discurso com a realidade.


Folha - Então, a crise abre um espaço para que o discurso da direita moderna seja mais ouvido?

Rosenfield -
Disso estou convencido. O que me surpreende é que os partidos políticos ainda não tenham entrado nessa via. A crise do PT abre um espaço enorme para essa proposta que eu chamo de direita moderna.


Folha - E que não seja mais vista de forma pejorativa?

Rosenfield -
Sim.


Folha - Sua primeira resposta, quando perguntei se suas idéias eram de direita, foi defensiva, dizendo que, se fosse pejorativo...

Rosenfield -
Pois é, que poderia ser entendido como pejorativo...


Folha - Mas se eu tivesse perguntado a alguém se tais idéias são de esquerda, acho que essa pessoa não começaria se defendendo...

Rosenfield -
Exatamente. Estou de acordo com você.


Folha - Isso pode se inverter?

Rosenfield -
Acho ainda muito difícil. Se considerarmos as últimas eleições presidenciais, tivemos quatro candidatos de esquerda. Isso é único no mundo. Diria até patológico. Em nenhum lugar do mundo é assim. Aqui é. E por quê? Porque, aqui, todos dizem que ser de direita é pejorativo, né?

Mas podemos ter uma direita moderna identificada a um partido de centro. Uma direita moderna, atenta às questões sociais.


Folha - Em termos ideais, o sr. não concorda com que um Estado mais ausente deixa os "fracos" mais expostos ao domínio dos "fortes"?

Rosenfield -
Isso sim. Estou de acordo com você, mas depende da função reguladora do Estado. É uma questão que se coloca.


Folha - Podemos dizer que a direita está saindo do armário?

Rosenfield -
Se for uma direita moderna, vai saber sair do armário. Se não for, fica lá dentro. Porque as pessoas ficam identificando a direita com regime militar. Aí não dá, né? E deixa eu acrescentar uma coisa: se ser de direita significa defender as liberdades, então sou de direita. E por liberdades quero dizer as liberdades políticas, de opinião, de expressão, econômica e direitos civis.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Despedindo-se do amor

Boa parte dos textos edificantes que me chegam por e-mail vão para o lixo, idem para os scraps de auto-ajuda com desenhos do Orkut. Porém, dependendo do remetente, alguns eu realmente leio. Hoje, abro um precedente reproduzindo um deles aqui. Embora não concorde 100% com ele -- será a falta física a mais "dilacerante", ou será, como creio, apenas a mais persistente? --, certamente é uma reflexão muito interessante.

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Existem duas dores de amor:

A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também...

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguirem se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida... Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós. Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, eque só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a 'dor-de-cotovelo' propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: "Eu amo, logo existo".

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente...
E só então a gente poderá amar de novo.

Martha Medeiros

"Munique" tem exatidão histórica?

Leia a resposta aqui: http://hnn.us/articles/21321.html.

Mas já antecipo que a resposta é "NÃO".